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Economia

Autenticidade é o novo luxo

ECO ·
Autenticidade é o novo luxo

Bem-vindos a 2026, o ano em que todos escrevem bem.

Influenciadores que publicavam um emoji de um coração a acompanhar um post, de repente filosofam sobre emoções com uma profundidade digna de um ensaio.

Proliferam os artigos de opinião que, se forem realmente a opinião dos seus signatários, revelam a ausência da mesma, tal o tom morno e o desfile de lugares-comuns.

Cada vez mais, o mundo dos conteúdos faz lembrar a Feira do Relógio, onde só os distraídos não percebem que a Naike, a Abibas e a Locaste não são as marcas originais.

A IA está a tornar-se numa espécie de Ozempic empresarial, usada indiscriminadamente e com a qual nos preocupamos mais com a forma do que com o conteúdo, apesar de estar tudo dito sobre a diferença entre ser uma ferramenta e não uma solução universal.

Mas esta pandemia do “Valter Hugo Mãe prêt-à-porter” tem outras variações mais preocupantes.

Na relação entre clientes e agências passámos, em alguns casos, de ausência de briefings — com a justificação do “não queremos condicionar a vossa criatividade” — para compêndios quase académicos.

Estes últimos definem cada deliverable a um nível de exigência que os próprios clientes não têm capacidade de avaliar e redundam em orçamentos que, muitas vezes, inviabilizam o concurso.

Alguns clientes dirão o mesmo sobre certas propostas, descoberta a fórmula de responder a 10 concursos em vez de cinco.

Que fique bem claro: eu gosto desta espécie de prótese para quem não tem recursos, seja para escrever, para fazer uma imagem ou um vídeo que resume um t eam building.

Só não aguento aquela chico-espertice de quem usa a IA para trabalhar menos e hipoteca o seu pensamento crítico e capacidade de análise.

Ou quem acha que pode fazer negócio com o que a IA faz, só porque fez um curso de dois dias de prompt engineering .

Há uma espécie de ironia apocalíptica entre quem esfrega as mãos com a IA porque faz um texto ou uma maquete em 30 segundos e quem perdeu clientes ou emprego porque produzia conteúdos ou vídeos para redes sociais.

Os tempos são estes.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.

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