Governo disponível para avançar com ponte sobre Erges a ligar a Espanha
O Conselheiro de Infraestruturas da Junta da Extremadura, Francisco Ramírez, esteve em Lisboa, na quarta-feira, para uma reunião com o Ministério das Infraestruturas e da Habitação de Portugal, na qual o executivo português "confirmou que a ligação de alta capacidade entre Castelo Branco e a fronteira da Extremadura, pelo eixo IC31-EX-A1, é uma prioridade estratégica nacional".
"Portugal, assim, realça o seu compromisso com um corredor que fortaleça a integração territorial, melhore a mobilidade entre os dois países e consolide uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento económico do oeste da península [ibérica]".
A Junta da Extremadura salientou ainda que o Governo português manifestou o seu compromisso e disposição para avançar, de forma coordenada, com este corredor internacional, que ligará Madrid e Lisboa por autoestrada pelo norte da região, uma infraestrutura há muito reivindicada e considerada estratégica.
"Essa ação abrirá uma nova porta de entrada para a Extremadura ligando a rede [rodoviária] portuguesa à rodovia regional EX-A1".
Segundo o governo regional espanhol, o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, explicou que o IC31 faz parte dos quatro principais investimentos estratégicos da região Centro de Portugal, reforçando o seu papel nas ligações internacionais com a Espanha e o resto da Europa.
Na terça-feira, a Aliança Territorial Europeia (ATE) Norte da Extremadura e Beira Baixa exigiu compromissos concretos e calendários vinculativos para o início das obras da ligação transfronteiriça com Espanha.
Numa nota enviada à agência Lusa, a ATE exigiu compromissos concretos e calendários para o início das obras da "Autoestrada da Esperança" e para o desbloqueio das ligações transfronteiriças.
"A província de Cáceres [Espanha], a Beira Baixa e o Alto Alentejo não podem continuar a ser tratados como uma ilha. Menos pessoas no interior não significa menos direitos", afirmou o espanhol Francisco Martín, porta-voz da ATE.
A ATE, que representa diversas entidades do Norte da Estremadura espanhola e da Beira Baixa portuguesa, sublinhou que aguardava há dois anos e meio por esta reunião de alto nível.
Para evitar um novo impasse, a Aliança estabeleceu prioridades e exigências fundamentais, nomeadamente o arranque imediato do primeiro lanço de obras, nos troços entre Moraleja e Cilleros (lado espanhol, EX-A1), e entre Alcains e a vila de Idanha-a-Nova (lado português, IC31).
O desbloqueio das pontes internacionais sobre o rio Erges e Cedilho é outra das prioridades defendidas.
Segundo a Aliança, isto implica a "validação imediata dos trâmites pendentes para que o Congresso dos Deputados em Espanha aprove o acordo internacional sobre a ponte do rio Erges, seguindo o modelo adotado na XXXV Cimeira Luso-Espanhola em Faro".
A ATE estima que a falta de acessibilidades modernas faz o interior perder cerca de um milhão de turistas por ano.
"A conclusão desta ligação é fundamental para a competitividade das nossas empresas, para a fixação de pessoas e para transformar o interior num verdadeiro eixo de desenvolvimento transfronteiriço", afirmou o presidente da Câmara de Castelo Branco, Leopoldo Rodrigues.
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