Ibovespa sobrevive ao mês do 'desgosto'. E agora?
Agosto começou com cara de mês do desgosto para o Ibovespa.
Em meio à pressão dos juros americanos, à alta do petróleo e à cautela com o cenário externo, o principal índice da bolsa brasileira chegou a acumular queda mensal de 6,5% no dia 18, antes de iniciar uma recuperação que ganhou força nas últimas duas semanas.
A virada foi tão forte que, nesta segunda-feira (31), o Ibovespa subiu firme e praticamente apagou a perda acumulada em agosto.
O que aconteceu nesse intervalo foi uma mudança de equilíbrio entre forças que continuam disputando espaço no mercado.
De um lado, o cenário internacional ficou mais difícil, com juros americanos voltando ao centro das preocupações e o petróleo subindo.
De outro, os dados brasileiros começaram a abrir espaço para uma Selic menor, enquanto o cenário eleitoral e a volta do investidor estrangeiro ajudaram a melhorar o humor com o Brasil.
O Brasil ficou mais interessante? Uma das principais mudanças de agosto aconteceu no cenário doméstico.
Depois de meses de dúvidas sobre a trajetória da Selic, os dados econômicos começaram a alimentar uma tese: a de que o Banco Central tem sim espaço para continuar os cortes de juros.
E o primeiro sinal veio do IPCA-15 de agosto, que ficou bem abaixo do esperado, reforçando a percepção de uma inflação mais comportada.
Na última sexta-feira, o Caged acrescentou outro ingrediente à história: o Brasil criou apenas 58,5 mil vagas formais em julho, bem abaixo das 114 mil esperadas pelo mercado e no menor resultado para o mês desde 2020.
Os dois dados apontam para uma combinação que interessa à bolsa: inflação mais fraca e uma economia perdendo força.
Isso aumenta as apostas de cortes da Selic na próxima reunião do Copom e, quem sabe, de novas reduções até o fim do ano.
Para Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, as notícias domésticas devem continuar prevalecendo sobre o possível aperto monetário nos Estados Unidos.
Segundo ele, o diferencial de juros entre Brasil e EUA ainda é grande para permitir uma queda da Selic, embora uma eventual alta dos juros americanos torne esse espaço mais restrito.
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