Ações da Casas Bahia disparam 65% e voltam a preço pré-recuperação
As ações da Casas Bahia dispararam 65% hoje, após a Justiça antecipar uma proteção que suspende por 180 dias ações e execuções contra empresas do grupo durante o processo de recuperação judicial. Os papéis fecharam a R$ 0,66 e voltaram ao mesmo preço do último pregão antes de a varejista pedir proteção contra os credores.
Ações da Casas Bahia fecharam em alta de 65%. Os papéis BHIA3 terminaram a sessão cotados a R$ 0,66, ante R$ 0,40 na sexta-feira (28). Com a valorização desta segunda-feira, a ação voltou ao valor em que era negociada em 14 de agosto, último pregão antes de a companhia anunciar o pedido de recuperação judicial.
Decisão da Justiça deu proteção imediata à companhia contra cobranças. A 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo antecipou os efeitos do chamado "stay period" , período em que ficam suspensas ações e execuções contra as empresas do grupo. A proteção vale por 180 dias, contados desde 19 de agosto, e vai até 15 de fevereiro de 2027.
Novos bloqueios de bens também ficam impedidos durante o período. A decisão veda "novos atos constritivos" contra as empresas incluídas no processo. A medida foi concedida antes mesmo de uma decisão definitiva sobre o processamento da recuperação judicial, possibilidade prevista na legislação para situações consideradas urgentes.
Credores já haviam conseguido bloquear cerca de R$ 9 milhões. Ao justificar a decisão, a juíza Taina Maria Leonardo de Oliveira afirmou que o pedido de recuperação judicial provocou uma corrida de credores contra o patrimônio do grupo. Segundo a magistrada, manter as empresas sem proteção durante a análise preliminar do processo poderia comprometer a tentativa de recuperação.
Justiça também mandou restabelecer o acesso da empresa a contas no BTG Pactual. A magistrada determinou que o banco devolvesse às companhias o acesso às contas correntes e aos extratos em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 100 mil. Na decisão, ela afirmou que o bloqueio dificultava a gestão normal das atividades do grupo.
O "stay period" não reduz as dívidas da Casas Bahia. A medida cria uma proteção temporária para evitar que cobranças e bloqueios comprometam a operação enquanto a empresa tenta organizar sua reestruturação. Os valores devidos e as condições de pagamento ainda terão de ser discutidos no processo e, em determinados casos, diretamente com credores.
Dívida total da Casas Bahia chega a R$ 28 bilhões. Desse montante, R$ 17,3 bilhões estão incluídos no pedido de recuperação judicial e outros R$ 11 bilhões são classificados como créditos extraconcursais , que ficam fora do processo por determinação legal.
Empresa terá de negociar a dívida em duas frentes. Dentro da recuperação judicial, a Casas Bahia tentará reestruturar os R$ 17,3 bilhões incluídos no processo. Paralelamente, terá de negociar os R$ 11 bilhões em créditos extraconcursais, que incluem valores devidos a bancos, fundos, fornecedores e ao Fisco.
Recuperação judicial envolve cerca de 28 mil credores. A lista inclui instituições financeiras, fornecedores, trabalhadores e partes envolvidas em processos cíveis.
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