Justiça protege Casas Bahia de credores por 180 dias
A Justiça de São Paulo suspendeu por 180 dias as ações de cobrança e execuções contra o Grupo Casas Bahia .
A decisão, proferida na 6ª feira (28.ago.2026), antecipa os efeitos da recuperação judicial da empresa e permite que a companhia negocie suas dívidas e reorganize as finanças.
A juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais, disse que “a notícia do ajuizamento recuperacional deflagrou corrida de credores” contra o patrimônio do grupo, “com bloqueios judiciais que alcançaram cerca de R$ 9 milhões em poucos dias e risco iminente de desfalque patrimonial” .
Eis a íntegra da decisão (PDF – 153 kB).
Conforme a juíza, “o perigo de dano revela-se concreto e atual” e “deixar as devedoras desprotegidas durante os 30 dias da constatação prévia comprometeria a viabilidade do soerguimento empresarial”.
Por isso, Tainá aceitou o pedido do grupo para antecipar os efeitos da recuperação judicial antes da análise definitiva, concedendo o chamado stay period .
O prazo de proteção teve início em 19 de agosto.
A magistrada determinou ainda que o banco BTG Pactual restabeleça em até 24 horas o pleno acesso da empresa às suas contas correntes e canais eletrônicos, sob pena de multa diária de R$ 100 mil.
Além disso, ordenou que Cielo, Getnet e Redecard suspendam retenções preventivas extraordinárias sobre a agenda de recebíveis da varejista e liberem os recursos no prazo de 48 horas.
Elas têm 5 dias úteis para apresentar “demonstrativos contábeis pormenorizados das retenções, abstendo-se de constituir reservas extraordinárias motivadas exclusivamente pelo ajuizamento da recuperação” .
A juíza homologou a desistência do Grupo Casas Bahia do pedido feito na última 2ª feira (24.ago) para que a Justiça de São Paulo obrigasse o Banco do Brasil a devolver R$ 422 milhões que foram debitados unilateralmente da conta da empresa.
De acordo com a Casas Bahia, o BB atuou como fiador em garantias contratadas pela varejista junto aos fornecedores Apple e Mapfre Seguros.
Com o pedido de recuperação judicial, os fornecedores acionaram as garantias.
O grupo afirma que o Banco do Brasil pagou os valores e depois debitou R$ 422 milhões das contas do grupo para se reembolsar.
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