Crítica | A Professora de Francês – Fanatismo Religioso é o TERROR em Suspense com Grace Passô [Festival do Rio]
Tudo que se é feito de maneira exagerada, levada ao extremo, não pode ser bom. É preciso ter equilíbrio entre as coisas. Porque quando alguém se fecha, acreditando cegamente em um tipo de discurso (que, geralmente, tem o propósito de controle e poder sobre as pessoas), muitas vezes as consequências dessas escolhas são o isolamento, a alienação, e, em alguns casos, a violência, oriunda da falta de abertura para diálogo. Tudo isso tem sido visto e vivido intensamente em nosso país, dentro do contexto político, e também é o mote que conduz o suspense ‘ A Professora de Francês ’, que teve sua estreia mundial esse ano no Festival de San Sebastian , na Espanha.
Graça ( Grace Passô , de ‘ Praça Paris ’) trabalha dando aulas de francês em Belo Horizonte, onde mora com a namorada francesa, Clara ( Jehnny Beth ). Graça está distante da família e quase já não visita a casa onde cresceu, porém, quando seu pai tem uma emergência de saúde ela decide retorna à casa onde cresceu e passar uns dias para ajudá-lo a se recuperar. Entretanto, a vida de seu pai tem sido muito ajudada por uma família de vizinhos que conduz uma seita na comunidade, na qual o jovem Tomás ( Pedro Goifman ) parece ser o grande líder. Aos poucos, sua realidade assume os contornos de um inquietante pesadelo e Graça se vê envolvida por um fanatismo que tenta devolvê-la “ao seu lugar”.
‘ A Professora de Francês ’ teve premiere no Brasil durante o Festival do Rio, onde levou os prêmios de Melhor Atriz para Grace Passô (que o dividiu com Isabel Teixeira , de ‘ Diário do Fogo ’), Melhor Ator Coadjuvante para Pedro Goifman e Melhor Trilha Sonora Original. Prêmios esses que ajudam a abrir os caminhos da distribuição do filme em território nacional. Vale mencionar, ainda, que Grace Passô é simplesmente a primeira artista e levar o Troféu Redentor três vezes pra casa.
O roteiro de Germano Melo parte de uma vida bem comum da protagonista, já antenada à globalização e as necessidades do mundo, até a rotina de Graça ser atravessada pela fragilidade da saúde do pai. Diante de um impasse (ela não quer voltar pra sua casa no centro metropolitano, onde está sua namorada, e deixar o pai sozinho; mas também não quer se mudar em definitivo para a casa de seus pais, para cuidar dele), Graça , incapaz de tomar uma decisão, vai ficando na casa e vendo o esquisito comportamento de seus vizinhos se apossar de seus bens, de sua vida, de seu espaço e de sua família como um vírus que vai entrando e contaminando tudo ao redor. A construção desse cenário sufocante causa indignação no espectador.
Boa parte da atmosfera surreal construída pelo suspense se dá com um elenco de peso que intensifica as emoções nas cenas ao ponto de dar na gente vontade de entrar em cena e dar um sacode na Graça. Estamos falando de nomes como Romulo Braga , Elisa Lucinda e Bárbara Colen vivendo fanáticos completamente alienados que acreditam num papo de coach de um moleque que sabe manipular as palavras para fazer as pessoas fazerem sua vontade. Esse é o excelente trabalho de Pedro Goifman como o líder dessa seita (se você sente raiva dele no filme, é porque ele está fazendo um ótimo trabalho, sob direção de Ricardo Alves Jr .
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cinepop.com.br — o conteúdo pertence a CinePOP.