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Economia

Fim da escala 6x1 pode pressionar varejo e favorecer grandes redes

UOL Economia ·
Fim da escala 6x1 pode pressionar varejo e favorecer grandes redes

A aprovação do fim da escala 6x1 pelo Congresso deve aumentar os custos de empresas do varejo e de serviços, mas também pode abrir espaço para que grandes redes conquistem clientes de concorrentes menores. Segundo analistas ouvidos pelo UOL, companhias com maior capacidade de investimento e reorganização tendem a enfrentar melhor a redução da jornada, enquanto negócios com margens apertadas podem sofrer mais para manter suas operações.

A mudança foi aprovada em definitivo pelo Senado ontem, por 75 votos a 1, após passar pela Câmara dos Deputados em maio. O texto reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas, garante dois dias de descanso remunerado e proíbe a redução dos salários. A proposta ainda precisa ser promulgada pelo Congresso para começar a valer.

A implementação será gradual. Dois meses após a promulgação, a jornada máxima cairá para 42 horas semanais, com duas folgas por semana. Um ano depois, passará a 40 horas. Esse período de transição deve permitir que as empresas reorganizem escalas e contratações, mas o impacto tende a ser maior em setores que dependem de muitos funcionários, como supermercados, farmácias e academias.

Magalu, Renner e Assaí podem sentir o aumento dos custos. Em um cenário de alta de 9% nas despesas com mão de obra, Felipe Passero, sócio da Jaguaretê Investimentos, estima impactos equivalentes a 11% do Ebitda do Magazine Luiza, 8% do da Renner e 7% do do Assaí. O Ebitda mede o resultado operacional antes de juros, impostos e algumas despesas contábeis. Os percentuais não representam, portanto, uma queda equivalente no lucro líquido das empresas.

Empresas endividadas ficam mais vulneráveis. No caso do Magazine Luiza, Passero avalia que a combinação de margens apertadas e endividamento amplia os riscos de uma elevação das despesas. Companhias com menor capacidade de absorver os custos podem precisar repassar parte deles aos consumidores ou aceitar uma redução da rentabilidade.

Farmácias estão entre os setores mais expostos. Arthur Bonifácio, analista da Eleven Financial, afirma que a folha de pagamento representa entre 30% e 50% das despesas com vendas das companhias analisadas. Isso significa que mudanças na jornada podem ter impacto relevante sobre os resultados, embora essa proporção não corresponda ao custo total das empresas.

Grandes redes podem ganhar espaço dos concorrentes. Bonifácio considera que empresas como a RD Saúde estão relativamente mais preparadas para a mudança. Segundo ele, os funcionários da companhia já trabalham em escala 5x2, embora a redução da carga horária semanal ainda exija adaptações. Redes maiores também contam com mais recursos para reorganizar operações e investir em produtividade.

Essas empresas podem se beneficiar de uma vantagem competitiva em relação a operadores menores, criando condições para potenciais ganhos de participação de mercado. Arthur Bonifácio, analista da Eleven

Academias também podem passar por uma concentração de mercado. Passero avalia que grandes redes de farmácias e academias podem ampliar sua participação caso concorrentes menores enfrentem dificuldades para absorver os custos.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em economia.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Economia.

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