Resistência a abrir dados de saúde trava a interoperabilidade, diz novo presidente da Saúde Digital Brasil
Nos últimos cincos anos, o setor da saúde passou por uma aceleração tecnológica, com incorporação de novas plataformas digitais, dispositivos médicos inteligentes e ferramentas baseadas em inteligência artificial.
Ao mesmo tempo, cresce também a necessidade de discutir marcos regulatórios capazes de acompanhar essa evolução e garantir segurança, transparência e qualidade na assistência.
Em entrevista exclusiva ao Futuro da Saúde , o novo presidente da Saúde Digital Brasil, Caio Soares, avalia que os avanços dessa transformação digital trazem desafios regulatórios.
Um dos principais envolve a forma como a troca de dados em saúde é pensada.
“O setor privado entende a descentralização como natural, e vemos uma demanda por centralização por parte do governo”, afirma.
Para ele, essa divergência reflete a resistência da sociedade brasileira em compartilhar dados de saúde.
A associação tem participado das discussões do PL de interoperabilidade, em tramitação no Congresso Federal.
Segundo Soares, o projeto tem mérito, e o texto tem evoluído no sentido de incorporar pontos importantes, como participação multissetorial, arquitetura descentralizada e adoção de padrão nacional de dados.
Mas, salienta que a governança e a viabilidade ainda precisam ser detalhadas, com “uma definição mais clara de responsabilidades para uso dos dados, regras de transição, sanções”.
Além disso, ele cita a importância de uma avaliação de impacto regulatório e econômico sobre o tema, já que afetará diversos segmentos do sistema de saúde.
A relatora do projeto, Adriana Ventura (Novo/SP) , esteve reunida com associados da Saúde Digital Brasil na última semana, em São Paulo.
Na ocasião, informou que a nova versão do texto aguarda posição do Ministério da Saúde, e pediu, também, apoio ao setor privado para a interlocução com a pasta.
Durante a entrevista, Soares também falou sobre os planos nova da gestão da Saúde Digital Brasil 2026-2028, empossada há cerca de um mês.
Na agenda estão o refinamento do painel de indicadores setoriais sobre saúde digital, primeira iniciativa do setor a reunir dados consolidados de telessaúde, lançada em dezembro, e o acompanhamento dos avanços regulatórios sobre inteligência artificial — tecnologia definida por Soares como a mais indisciplinada de todas.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em futurodasaude.com.br — o conteúdo pertence a Futuro da Saúde.