Portugal, o país dos papéis
A burocracia tem um custo elevado.
Não apenas financeiro, mas também jurídico e sobretudo económico.
É um dos mais persistentes custos de contexto que condicionam a competitividade de um país, desviam recursos da atividade produtiva e reduzem a eficiência das organizações.
Em Portugal, porém, o problema é mais profundo, porque continuamos a confundir rigor com formalismo.
A exigência sucessiva de declarações, certidões, autenticações ou comprovativos – muitas vezes relativos a factos já conhecidos ou facilmente verificáveis – revela uma cultura em que a forma prevalece sobre a substância.
A forma só faz sentido enquanto instrumento ao serviço de um interesse sério.
Quando passa a justificar-se a si própria, transforma-se em fator de ineficiência.
Esta realidade não é exclusiva da Administração Pública.
Também inúmeras entidades privadas, sobretudo em setores altamente regulados, reproduzem a mesma lógica.
Ainda hoje existem instituições que recusam documentos assinados digitalmente ou exigem formalidades adicionais que a lei não impõe.
Não por necessidade legal, mas porque “ sempre foi assim “, porque os procedimentos internos nunca foram revistos ou porque ninguém quis assumir o custo de os repensar, atualizar ou simplesmente alterar.
A burocracia alimenta-se, muitas vezes, de uma combinação viciosa de inércia, excesso de zelo e resistência à mudança.
Exige-se uma nova declaração porque ninguém quer assumir a responsabilidade de dispensá-la.
Pede-se mais um documento porque é mais fácil fazê-lo do que questionar a sua utilidade.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.