Governo mais duradouro de Itália: Meloni estabelece recorde (1.413 dias)
E mpossado a 22 de outubro de 2022, o Governo de coligação de Meloni, que junta o seu partido conservador nacionalista Irmãos de Itália, o Força Itália, de Antonio Tajani (direita), e a Liga, de Matteo Salvini (extrema-direita), cumpre na sexta-feira 1.413 dias de legislatura, superando assim o anterior recorde de longevidade, que pertencia ao segundo Governo encabeçado pelo magnata Silvio Berlusconi (2001-2005), falecido em 2023.
Giorgia Meloni, a primeira mulher a assumir a chefia de um Governo em Itália, dispondo de uma maioria clara no Senado e na Câmara dos Deputados na sequência da vitória da coligação de direita e extrema-direita nas eleições de 2022, assumiu como objetivo desde o início tornar-se a primeira líder de Itália do pós-guerra a completar um mandato completo de cinco anos, um cenário que se adivinhava muito difícil de concretizar, num país conhecido pela constante rotação de governos.
Desde o final da II Guerra Mundial, em 1945, e o fim da monarquia, decidido em referendo no ano seguinte, a República italiana teve, ao longo dos seus 79 anos, 68 governos, o que significa que a "esperança de vida" média de um governo em Itália é de pouco mais de um ano.
Dada a facilidade e frequência com que os governos, sobretudo de coligação, caem em Itália, muitos prognosticaram, por isso, mais um governo efémero, mas o executivo de Meloni torna-se mesmo o mais duradouro da história da República e, salvo surpresas, cumprirá efetivamente toda a legislatura, dado as próximas eleições legislativas terem lugar já em 2027 (em data ainda a determinar).
Apesar de ter cumprido a promessa de dar a Itália "uma estabilidade política rara na história da República" e de o seu partido continuar à frente das sondagens com vista às próximas eleições gerais, Giorgia Meloni já não goza da aura de invencibilidade que lhe era atribuída.
Em março passado, sofreu o seu primeiro grande desaire nas urnas, ao ver chumbada por larga maioria, num referendo muito participado, a reforma que propunha para o setor da Justiça, que era uma das grandes 'bandeiras' do seu mandato.
Num contexto de uma situação económica frágil em Itália, com a grande coligação de esquerda a recuperar terreno nas sondagens e com um novo partido político de extrema-direita – o Futuro Nacional, do antigo general Roberto Vannacci – a ganhar cada vez mais força e a ameaçar dividir o eleitorado da direita mais radical e 'roubar' muitos votos aos partidos da atual coligação, Meloni está por isso longe de ter assegurada a recondução nas eleições de 2027.
Para já, contudo, Giorgia Meloni pode celebrar na sexta-feira o que não deixa de ser um feito na história da República Italiana: a primeira-ministra com maior longevidade no Palácio Chigi, a sede de Governo em Roma.
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