Conselheiro de Trump acusa empresas brasileiras de integrar cartel da carne nos EUA
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O conselheiro da Casa Branca Peter Navarro acusou nesta terça-feira (11) empresas brasileiras de integrarem o que chamou de um cartel no setor de processamento de carne bovina dos Estados Unidos . Ele afirmou que a concentração do mercado contribui para elevar os preços pagos pelos consumidores americanos.
Em entrevista a jornalistas na Casa Branca, Navarro disse que quatro empresas controlam a maior parte do processamento de carne bovina no país e destacou que duas delas são de propriedade brasileira.
"Temos um cartel no processamento de carne bovina. É um cartel de quatro empresas que controla 85% de todo o processamento de carne", afirmou ele sem citar o nome das empresas.
Ainda de acordo com Navarro, a concentração permite que essas companhias exerçam pressão dos dois lados da cadeia produtiva: pagando menos aos pecuaristas pelo gado e cobrando preços mais altos dos supermercados.
"E fica pior porque duas das quatro empresas são de propriedade brasileira e estão envolvidas até o pescoço com os chineses", afirmou Navarro. O conselheiro de Trump atribuiu especificamente à parcela brasileira desse mercado responsabilidade pelos preços pagos pelos americanos.
"O que a parte brasileira do cartel faz, como qualquer cartel faria, é maximizar seus preços globalmente, e os americanos estão pagando a conta por isso", disse.
As quatro maiores processadoras do mercado americano são JBS , Tyson Foods, Cargill e National Beef.
A JBS tem origem brasileira e, nesta semana, divulgou prejuízo líquido de US$ 102 milhões (R$ 521,32 milhões) no segundo trimestre . O segmento bovino nos EUA registrou margens negativas, e uma oferta maior de frango reduziu os preços, além de diversos itens não recorrentes.
As empresas foram procuradas por email na noite desta terça e nesta quarta-feira (12). A JBS não se pronunciou. A MBRF disse que opera "em estrita conformidade com as leis de defesa da concorrência e antitruste e mantém políticas robustas de governança e integridade".
A empresa afirma que o modelo de operação da National Beef é único nos EUA e possui uma parceria de longa data com aproximadamente 700 produtores locais, que, juntos, detêm cerca de 18% do capital da companhia.
"Ao longo dos últimos 27 anos, a empresa distribuiu mais de US$ 1,6 bilhão em dividendos aos produtores da U.S. Premium Beef, em um modelo de negócios que fortalece todos os participantes da cadeia produtiva", diz a nota.
As declarações ocorrem em meio a uma ofensiva do governo Trump contra a concentração no mercado americano de carnes e diante do aumento do preço da carne nos EUA —o preço subiu 9,4% nos 12 meses encerrados em julho, segundo o índice de preços ao consumidor divulgado pelo Departamento do Trabalho.
Quando a investigação foi anunciada, a secretária da Agricultura, Brooke Rollins, também destacou a presença brasileira no setor ao citar JBS e National Beef ao lado das americanas Cargill e Tyson Foods.
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