China se retira da principal bienal da Ásia em protesto contra ‘Pavilhão de Taiwan’
O governo da Coreia do Sul teme enfrentar, novamente, as consequências deflagradas de uma possível crise na diplomacia com a China após uma decisão controversa tomada pela Fundação da Bienal de Gwangju, em sua 16ª edição . Às vésperas da principal exposição de arte da Ásia, prevista para inaugurar neste sábado (05/09), os participantes chineses se retiraram do evento em protesto contra a alteração do nome institucional “Museu Nacional de Belas Artes de Taiwan” (NTMoFA, na sigla em inglês) para “Pavilhão de Taiwan”.
“Não podemos aceitar isso”, afirmou a curadora do Pavilhão da China, Ruan Yuelai. “Demos grande importância à bienal e trabalhamos duro para prepará-la, mas os organizadores da Bienal de Gwangju usaram um nome incorreto em relação à participação de Taiwan, permitindo com que elementos políticos invadissem o campo da arte”.
De acordo com um comunicado emitido pela Embaixada da China em Seul, nesta quinta-feira (03/09), a decisão dos organizadores do evento “prejudica diretamente a base política das relações China-Coreia”, uma vez que a renomeação vai contra o princípio de “Uma Só China”, do qual o governo da Coreia do Sul se comprometeu a respeitar em 1992, ano em que as nações estabeleceram as relações diplomáticas.
Em sua nota, a representação diplomática apontou que, juntamente com o Consulado-Geral da China em Gwangju, havia dialogado com o governo da cidade de Jeonnam-Gwangju, sede da exposição, e com a Fundação da Bienal de Gwangju sobre o assunto. A fundação, em particular, vinha sofrendo pressão do Ministério da Cultura de Taiwan para alterar o nome do pavilhão.
“A única designação de Taiwan nas Nações Unidas é ‘Taiwan, Província da China’, e a participação de Taiwan em eventos multilaterais deve ser tratada de acordo com o princípio de Uma Só China”, reiterou a embaixada, em nota. “Existe apenas uma China no mundo e Taiwan é uma parte inseparável do território chinês”.
Em coletiva na capital Seul, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Park Doo Soon, declarou que a posição do governo sul-coreano em relação à Taiwan, de que a nação respeita o princípio de “Uma Só China”, “permanece inalterada”. De acordo com o funcionário da chancelaria, as decisões foram tomadas pelo setor privado, ou seja, “não têm relação com a posição do nosso governo em relação a Taiwan”.
“Esperamos que este incidente não afete as relações Coreia-China nem os intercâmbios e a cooperação entre os dois países”, concluiu.
O Ministério da Cultura endossou a posição da chancelaria, ao destacar que a Bienal em Gwangju é “totalmente administrada pela fundação”, e que a pasta somente fornece apoio financeiro, sem haver algum tipo de intervenção ou controle sobre suas operações.
“A fundação supervisiona tanto o tema deste ano quanto todas as questões administrativas. Sabemos que o governo da cidade de Gwangju já emitiu um pedido de desculpas em relação ao problema. Como isso é principalmente uma questão de política externa, o ministério não tem uma declaração separada a oferecer.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.