AVC em mulheres: sintomas menos óbvios podem atrasar o diagnóstico
Nem todo acidente vascular cerebral (AVC) começa com fraqueza de um lado do corpo ou dificuldade para falar. Em mulheres, o quadro também pode surgir com dor de cabeça, fadiga, tontura, confusão ou náusea, sintomas que tendem a ser confundidos com outros problemas e atrasar a busca por atendimento.
Embora os principais sinais sejam semelhantes em homens e mulheres, alguns sintomas podem ser mais frequentes entre elas. Uma revisão de estudos, com mais de 580 mil pessoas, encontrou maior ocorrência de cefaleia e alterações do nível de consciência entre mulheres que tiveram AVC .
“Há evidências de que mulheres com AVC apresentam maior risco de receber inicialmente outro diagnóstico. É comum a mulher minimizar o quadro, pensar estar cansada e não associar aquilo a uma emergência. Isso faz com que muitas percam tempo para o atendimento, e quanto mais rápido o diagnóstico, maiores são as chances de recuperação sem sequelas”, destaca Feres Chaddad, neurocirurgião e professor do Departamento de Neurologia e Neurocirurgia da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM/Unifesp).
O AVC acontece quando uma parte do cérebro deixa de receber sangue e oxigênio adequadamente, no caso do AVC isquêmico; ou quando um vaso sanguíneo se rompe e provoca um sangramento, no AVC hemorrágico.
Como diferentes áreas do cérebro controlam funções distintas, os sintomas variam bastante de uma pessoa para outra, dependendo da região atingida .
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A gravidez provoca mudanças na circulação e na coagulação do sangue que podem aumentar o risco de AVC. Embora seja um evento raro durante a gravidez, estudos estimam 30 casos de AVC a cada 100 mil gestações, com as maiores taxas no período próximo ao parto e após o nascimento do bebê.
Um dos fatores relacionados a esse risco é a pré-eclâmpsia , uma complicação da gravidez caracterizada pela elevação da pressão arterial e que pode afetar outros órgãos. O problema também causa consequências depois da gestação: uma análise com mais de 10,6 milhões de mulheres encontrou 75% maior risco de AVC ao longo da vida entre aquelas que tiveram pré-eclâmpsia .
“Gestantes e mulheres no pós-parto apresentam aproximadamente três vezes o risco de AVC observado em adultos jovens de idade semelhante. A maioria dos AVCs associados à gestação ocorre no pós-parto, e as primeiras duas semanas após o parto constituem um dos períodos de maior risco”, complementa Chaddad.
Embora o AVC seja mais frequente com o envelhecimento, ele também atinge mulheres jovens. Além disso, ao longo da vida o impacto da doença é maior entre elas.
“O AVC continua sendo uma das principais causas de morte e incapacidade entre as mulheres. Um fator importante é que elas vivem, em média, mais do que os homens e acumulam maior exposição aos fatores de risco.
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