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Política

Após 50 anos de carreira, Regina Casé recorre à Lei Rouanet pela primeira vez

O Antagonista ·
Após 50 anos de carreira, Regina Casé recorre à Lei Rouanet pela primeira vez

Atriz afirma que nunca havia recorrido ao mecanismo em cerca de 50 anos de carreira; espetáculo Viva! Vida! oferece sessões gratuitas para mil pessoas em Brasília

Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Regina Casé revelou que Viva! Vida!, espetáculo em cartaz no CCBB Brasília, marca a primeira vez em que utiliza o apoio da Lei Rouanet em cerca de 50 anos dedicados à arte. Em entrevista ao Metrópoles, a atriz afirmou que nunca havia recorrido ao mecanismo de incentivo, apesar de receber críticas relacionadas a ele há anos. A montagem oferece apresentações gratuitas, com capacidade para mil espectadores em cada sessão.

Ao comentar o assunto, Regina Casé afirmou que as acusações começaram antes mesmo de recorrer ao mecanismo pela primeira vez. “Eu sou atacada há anos [com pessoas] me dizendo: ‘Ah, também, com a Lei Rouanet’. Eu nunca usei Rouanet”, diz. A artista também defendeu o incentivo como instrumento para facilitar o acesso do público a produções culturais que podem ser oferecidas gratuitamente a grandes plateias.

“Poxa, fazendo hoje para mil pessoas, amanhã para mil pessoas, depois de amanhã para mil pessoas de graça, é uma maravilha”, disse. Viva! Vida! nasceu de conversas entre Regina e seu marido, Estêvão Ciavatta, além de pesquisadores ligados a questões climáticas e de sustentabilidade. O espetáculo discute a relação dos seres humanos com o planeta e combina conhecimentos científicos, saberes de diferentes culturas, tecnologia, inteligência artificial e hiperconectividade.

A proposta da montagem também coloca a própria atriz em posição de descoberta durante o contato com os espectadores. “Eu vou descobrir junto com o público um monte de coisas que estão embaixo do nosso nariz e que a gente não se dá conta”, explicou. O projeto usa diferentes conhecimentos para abordar questões relacionadas à natureza e à maneira como os seres humanos percebem sua posição diante das demais formas de vida.

Regina Casé afirmou ainda que não considera celulares ou avanços científicos adversários nessa discussão. Para ela, a questão está na ideia de superioridade humana diante da natureza. “O celular é genial. As descobertas científicas e da medicina são geniais. Os cientistas fazem coisas geniais, mas a gente não pode achar que nós somos muito mais incríveis que uma onça, que a onça não tem celular”, afirmou.

Ao recordar a carreira, Regina Casé explicou que suas passagens pela televisão, pelo cinema e pelo teatro não surgiram de um planejamento para exercer diferentes funções. “O que sempre me move para fazer alguma coisa é aquela sensação de que aquilo precisa ser dito, aquilo precisa ser mostrado. Eu não pensava: ‘Vou ser apresentadora’. Eu me considero uma atriz. Mas, eu preciso ser apresentadora para apresentar tudo aquilo que eu acho que era o que estava acontecendo de mais legal no Brasil naquele momento”, disse.

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