Todo mundo quer um dólar para chamar de seu? Bancões entram na corrida das ‘criptos de dólar’
A disputa para transformar o dólar em dinheiro digital ganhou nesta terça-feira (1º) um reforço de peso.
Um grupo de 21 grandes instituições financeiras internacionais, entre elas Bank of America, Citi, Goldman Sachs, Santander, Deutsche Bank e UBS, anunciou a criação de uma empresa dedicada à emissão de stablecoins — as criptomoedas lastreadas a moedas fiduciárias, como dólar, euro e real.
A companhia, que ainda não tem nome divulgado, deve ser criada ainda este ano e pretende colocar sua primeira stablecoin de dólar no mercado no primeiro semestre de 2027, segundo a nota divulgada pelo Citi.
Mais adiante, o grupo planeja avançar sobre outras moedas do G7, começando pelo euro.
O anúncio é mais um sinal de uma corrida que ganhou força este ano: a criação de versões digitais privadas das principais moedas do mundo, notadamente o dólar.
E, se até pouco tempo esse mercado era dominado por empresas nascidas dentro da criptoeconomia, agora bancos, gestoras, empresas de pagamentos e gigantes de tecnologia querem participar diretamente dessa infraestrutura.
Em junho, mais de 140 empresas globais anunciaram outro projeto para criar uma stablecoin própria de dólar.
Batizada de Open USD, a iniciativa reúne nomes como Visa, Mastercard, Stripe, Coinbase, BlackRock, Itaú, Bradesco, Mercado Livre e Google e prevê o lançamento do ativo ainda neste ano.
Os dois projetos chegam para disputar um mercado atualmente concentrado principalmente em duas stablecoins: a USDT, emitida pela Tether, líder isolada do segmento, e a USDC, da Circle.
A Tether já colocou mais de US$ 180 bilhões em USDT em circulação e se tornou também uma enorme compradora de títulos do governo americano, uma vez que o lastro dessas criptos é basicamente de títulos de curto prazo, para garantir liquidez.
Ao mesmo tempo, com essa composição, os emissores recebem os juros pagos por esses ativos: uma dimensão que ajuda a explicar por que a digitalização privada do dólar deixou de ser apenas um assunto da indústria de criptomoedas e entrou no radar dos maiores grupos financeiros do planeta.
Além do uso no mercado de negociação de criptomoedas especificamente, esses ativos vêm ganhando espaço em pagamentos e transferências internacionais, por permitirem movimentações 24 horas por dia, sete dias por semana.
A stablecoin pode funcionar apenas como infraestrutura da operação, sem que quem envia ou recebe o dinheiro tenha contato direto com o criptoativo.
É justamente essa infraestrutura que começa a atrair os grandes bancos.
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