Soja e milho: Após recorde, o que pode acontecer com os preços e o que pode virar o jogo
Os preços da soja e o milho recuaram nesta semana, após chegarem às maiores cotações desde 2023 acompanhando um ritmo de três semanas consecutivas de alta.
De acordo com Luiz Fernando Roque, analista da Hedgepoint, o momento segue com perspectivas favoráveis para os grãos.
Ainda assim, produtores e investidores devem estar atentos à combinação entre clima, safra, demanda global e geopolítica, que podem mexer com o mercado.
O especialista explica que na soja, o mercado acompanha especialmente o aumento da demanda por biodiesel nos Estados Unidos, além da retomada das compras chinesas de soja americana.
Desde junho e julho, a China vem ampliando as compras do produto dos Estados Unidos, em linha com o compromisso assumido no acordo firmado em outubro do ano passado. Para Gutierrez, esse movimento é positivo para os preços e ajuda a dar sustentação às cotações internacionais.
Outro fator que pesa sobre os grãos é o cenário geopolítico. As tensões envolvendo Estados Unidos e Irã, além do conflito entre Rússia e Ucrânia, afetam os preços de energia e do petróleo e repercutem sobre commodities como a soja, principalmente por sua relação com a produção de óleo vegetal e biocombustíveis.
Além disso, existe uma preocupação com a produção americana. As condições das lavouras estão menos favoráveis do que no ano passado, o que abre espaço para uma eventual redução das estimativas de produção nos Estados Unidos.
No milho, uma safra americana menor, combinada a exportações fortes, poderia apertar ainda mais os estoques e sustentar os preços.
No mercado doméstico, a soja também encontra sustentação na forte demanda externa. As exportações brasileiras vêm retirando produto do mercado interno e reduzindo a disponibilidade para o restante do ano.
Com isso, aumenta a disputa entre exportadores e compradores domésticos, fortalecendo os prêmios de exportação e contribuindo para uma formação de preços mais firme no Brasil.
Para o fechamento da temporada 2025/26, a expectativa sinalizada por Roque é de exportações brasileiras de soja em torno de 114 milhões de toneladas , cerca de 6 milhões de toneladas acima do volume de aproximadamente 108 milhões registrado na temporada anterior.
No milho, a dinâmica é um pouco diferente. A demanda interna está forte, principalmente por parte das usinas de etanol.
O Brasil já acumula exportações inferiores às do ano passado e enfrenta uma combinação desfavorável de fatores: a possibilidade de menor demanda iraniana por causa da guerra e a forte concorrência da Argentina , que teve uma safra recorde de milho e está oferecendo o produto a preços mais competitivos.
A previsão atual da Hedgepoint é de exportação brasileira de aproximadamente 41 milhões de toneladas , mas com viés negativo, considerando a possibilidade de esse número ser revisado para baixo.
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