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Política

Vorcaro tinha contrato de R$ 50 mi com escritório Barci de Moraes, diz PF

Poder360 ·
Vorcaro tinha contrato de R$ 50 mi com escritório Barci de Moraes, diz PF

Acordo estabelecia uso de jato e helicóptero para quitar R$ 40 milhões; conversas indicam custeio de viagens

A Polícia Federal identificou um contrato de R$ 50 milhões firmado em 12 de maio de 2025 entre a Vikings Participações, empresa ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advocacia, representado por Viviane de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). A prestação de serviços advocatícios tinha prazo estipulado de 36 meses.

O acordo estabelecia a quitação de R$ 40 milhões por meio de transferência de ativos de luxo. Os R$ 10 milhões restantes seriam pagos por meio de reembolso de despesas e demandas específicas conforme a execução dos serviços.

Entre os ativos negociados estavam cotas de propriedade compartilhada de duas aeronaves: um jato executivo Legacy 650 e um helicóptero de grande porte EC 155 B1. Segundo os documentos apurados pela PF, o valor das cotas era de US$ 5,51 milhões e US$ 1,33 milhão, respectivamente.

As investigações indicam que houve tratativas entre Vorcaro e advogados para alterar a estrutura do contrato e transferir os ativos para uma empresa chamada Lux. A alteração pretendia evitar o que a defesa considerava um “risco reputacional” para o escritório, que pretendia ter o direito de uso dos aparelhos sem figurar formalmente como sócio das sociedades controladoras das aeronaves. Mesmo com as alterações burocráticas, mensagens interceptadas mostram que o jato e o helicóptero foram utilizados imediatamente.

Em outras trocas de mensagens analisadas pela PF, uma funcionária consultou Vorcaro sobre quais convidados poderiam ter “despesas pagas por nós” . Em resposta, o banqueiro incluiu os nomes de Pedro Gonet, filho do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Ciro Soares, ex-advogado do Banco Master entre os beneficiados pelo custeio de viagens.

As informações constam de um relatório de 218 páginas produzido pela PF a partir da análise do celular de Daniel Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero . O documento reúne mensagens, registros de chamadas, arquivos, contratos e outros dados encontrados no aparelho do fundador do Banco Master.

A operação Compliance Zero foi deflagrada pela PF em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes envolvendo a venda de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB (Banco de Brasília). Vorcaro foi preso na 1ª fase da operação, em 18 de novembro de 2025.

O relatório foi elaborado a pedido do ministro André Mendonça, do STF, para identificar integrantes de uma possível rede de influência e monitoramento atribuída a Vorcaro. A PF entregou o documento em 27 de agosto de 2026.

A própria PF afirma que a análise “não possui caráter exaustivo” , porque foi realizada no prazo de 72 horas determinado para atender à requisição judicial. Segundo a corporação, podem existir outras citações ou referências indiretas ainda não identificadas pela equipe policial.

O conteúdo veio a público nesta 3ª feira (1°.set.2026), depois que Mendonça derrubou o sigilo da ação.

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