Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda
União Europeia suspende importações de produtos de origem animal do Brasil A União Europeia suspende, a partir desta quinta-feira (3), as importações de carne bovina e de outros produtos de origem animal do Brasil.
Com a perda desse mercado, fica a pergunta: o churrasco pode ficar mais barato para os brasileiros? "É pouquíssimo provável que isso aconteça", comenta Fernando Enrique Iglesias, analista do Safras & Mercado. 🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1 🔍 A UE anunciou a medida em maio, após excluir o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária.
Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento.
Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui) Segundo Iglesias, o volume de carne bovina vendido pelo Brasil à União Europeia é pequeno demais para provocar uma queda nos preços.
Em 2025, o bloco respondeu por apenas 3,7% do volume exportado e por 5,8% do valor das vendas, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Entre os cortes enviados à UE estão filé mignon, contrafilé, alcatra e coxão mole, retirados do traseiro do boi, além do filé de costela, que vem do dianteiro.
Na prévia da inflação de agosto, os preços das carnes, em geral, acumulam alta de 8,53% em 12 meses, mostram dados do IBGE.
Filé mignon (15,2%), contrafilé (11,5%), alcatra (9,31%) e coxão mole (10%), por exemplo, também registram alta no período.
Segundo Iglesias, nem mesmo os cortes nobres devem ficar mais baratos.
Pelo contrário, ele vê tendência de alta até o fim do ano, impulsionada pelo aumento das exportações e pela menor oferta de bois para abate.
"Houve uma redução significativa dos embarques nos meses de julho e agosto e agora em setembro, mas, a partir de outubro, a indústria frigorífica brasileira vai começar a processar a carne bovina para o mercado chinês", destaca Iglesias.
No início do ano, a China estabeleceu para 2026 uma cota de 1,1 milhão de toneladas para as importações de carne bovina do Brasil.
Até esse limite, a tarifa era de 12%.
Acima da cota, passou a incidir uma tarifa adicional de 55%.
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