Chega já entregou moção de censura ao Governo. Se for chumbada, avança comissão de inquérito a Luís Neves
O Chega deu entrada esta quarta-feira de uma moção de censura ao Executivo de Luís Montenegro pelo facto de o primeiro-ministro não ter ainda demitido o ministro da Administração Interna , anunciou o líder do Chega, André Ventura, a partir da sede nacional do partido.
Se a iniciativa, que precisa dos votos do PS para passar, for chumbada, o líder do partido garante que a Comissão Parlamentar de Inquérito é para avançar.
A moção de censura deverá ser discutida ao terceiro dia que, segundo o regimento da Assembleia da República, “isto significa que deve ser debatida em três dias após a sua interposição” , esclareceu Ventura.
Mas, diz, vai aguardar pela decisão do presidente da Assembleia da República.
Luís Neves resiste: “Podem gritar, vou continuar a governar” Ler Mais “Se o primeiro-ministro não compreende que este é um problema de decência e de dignidade do Estado, então o principal partido da oposição deve-lhe fazer demonstrar, humildemente, que é mesmo uma questão de dignidade das instituições” , afirmou.
Ventura explicou que antes de tomar a decisão consultou o Presidente da República, António José Seguro, em dois momentos, o último dos quais decorreu esta terça-feira, via telefone.
No seguimento desse contacto, deu conta de que o Presidente da República está vigilante e preocupado , mas defende que a questão deve ser resolvida entre o Governo e o Parlamento.
Para Ventura, a situação evoluiu para uma “absoluta insustentabilidade” do ponto de vista ético e da credibilidade das instituições.
“Não há nenhumas condições que possam justificar manter Neves” , sustenta.
A decisão do Chega surge depois de o partido ter aguardado pelos esclarecimentos de Luís Neves sobre as suspeitas relacionadas com a sua atuação enquanto diretor da Polícia Judiciária e, posteriormente, enquanto ministro da Administração Interna.
Para Ventura, as respostas dadas pelo governante não permitiram dissipar as dúvidas e agravaram a crise em torno do ministro.
O líder do Chega considera que a questão ultrapassou já a esfera de uma disputa entre partidos ou de um confronto pessoal entre si e Luís Neves .
“Estas não são suspeitas nem pequenas nem minudências sobre o Ministro da Administração Interna” , afirmou, defendendo que estão em causa dúvidas sobre a forma como o atual ministro exerceu funções na Polícia Judiciária e sobre a sua autoridade enquanto responsável pela tutela da legalidade, das polícias e das forças de segurança.
É precisamente a manutenção de Luís Neves no Governo que constitui o motivo central da moção de censura.
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