Modi frente a Putin: "Devemos passar da guerra para o fim da guerra"
"A cada dia que o conflito se prolonga, a humanidade recua, enquanto cada passo em direção à paz enche toda a humanidade de nova esperança e entusiasmo. Devemos passar da guerra interminável para o fim da guerra, um passo essencial para o bem-estar da humanidade", afirmou o líder indiano durante o encontro realizado à margem da cimeira da Organização de Cooperação de Xangai.
Na reunião, realizada em Bishkek, capital do Quirguistão, Modi salientou que "uma solução pacífica para todas as questões o mais rapidamente possível é o apelo da humanidade e a mensagem da Índia, uma terra de paz e a terra de Buda".
Além disso, destacou a visita bem-sucedida de Putin à Índia no final de 2025 e manifestou a sua convicção de que a presença do líder russo na cimeira dos BRICS, que se realiza em Nova Deli dentro de duas semanas, vai reforçar ainda mais as relações entre os dois países.
Devido à guerra, iniciada em fevereiro de 2022 com a invasão russa da Ucrânia, e às sanções aplicadas pelo Ocidente a Moscovo, a Índia tornou-se no principal importador de petróleo da Rússia.
A Rússia, por sua vez, começou a importar gasolina da Índia para enfrentar a escassez interna de combustível provocada pelos ataques ucranianos às suas refinarias.
Na reunião, Putin também destacou a cooperação bilateral, que está a ser reforçada "com base nos princípios de uma parceria estratégica e privilegiada especial", depois de ter discutido assuntos de energia com o ministro dos Negócios Estrangeiros indiano na semana passada, em Moscovo.
O líder do Kremlin agradeceu pessoalmente a Modi pelas relações "amigáveis" entre os dois países e observou que o comércio cresceu 2,6% no primeiro semestre do ano e o turismo 16% em 2025.
A questão ucraniana foi apenas discutida brevemente noutra reunião que o líder russo teve hoje no Quirguistão, com o homólogo chinês, Xi Jinping, segundo o porta-voz do Kremlin.
Dezenas de dirigentes políticos, entre os quais Putin, Modi e Xi, são esperados hoje e na terça-feira na cimeira da Organização de Cooperação de Xangai, que se realiza pela primeira vez na capital do Quirguistão.
Fundada em 2001, a organização é um bloco transregional que abrange o sul e o centro asiático, tendo como membros permanentes China, Rússia, Paquistão, Índia, Uzbequistão, Tajiquistão, Quirguistão e Cazaquistão.
A Rússia intensificou os seus bombardeamentos na Ucrânia nas últimas semanas, em resposta aos ataques aéreos ucranianos em território russo, que têm atingido infraestruturas energéticas vitais para a economia do país.
Estes ataques cruzados provocam regularmente vítimas civis, segundo as autoridades de ambos os países.
No sábado, um bombardeamento russo a um depósito de munições nos arredores de Kiev provocou uma grande explosão e causou a morte a pelo menos 38 pessoas, de acordo com o último balanço das autoridades ucranianas sobre o ataque mais mortífero do ano.
As partes admitiram na semana passada que as negociações de paz, promovidas pelos Estados Unidos, estão paradas e sem perspetivas de evolução.
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