sexta-feira, 16 de outubro de 2026 PortaisSobre🌓
🇵🇹 PT ▾
ÚLTIMA HORA
› 4h Combustíveis. Governo espera regularizar apoios às empresas de autocarros› Moedas suspende utilização de trotinetes partilhadas em Lisboa› PODCAST | Crossfire› Sismo de magnitude 4 sentido no norte de Portugal› Manifestantes decidem voltar a passar a noite no local onde houve uma carga policial no Porto› PODCAST | 5.ª Coluna com Miguel Sousa Tavares› Crise na habitação: "A pergunta é porquê só agora os protestos, dada a situação dramática que se vive em Portugal"› "É um mar de gente": manifestantes continuam a juntar-se em força na Praça D. João I› Problema da habitação é "nacional" e "não vai ser resolvido tão cedo"› Encontrado pela GNR homem que raptou filha menor e provocou desacatos em Bragança› 4h Combustíveis. Governo espera regularizar apoios às empresas de autocarros› Moedas suspende utilização de trotinetes partilhadas em Lisboa› PODCAST | Crossfire› Sismo de magnitude 4 sentido no norte de Portugal› Manifestantes decidem voltar a passar a noite no local onde houve uma carga policial no Porto› PODCAST | 5.ª Coluna com Miguel Sousa Tavares› Crise na habitação: "A pergunta é porquê só agora os protestos, dada a situação dramática que se vive em Portugal"› "É um mar de gente": manifestantes continuam a juntar-se em força na Praça D. João I› Problema da habitação é "nacional" e "não vai ser resolvido tão cedo"› Encontrado pela GNR homem que raptou filha menor e provocou desacatos em Bragança
Últimas

Tecnocrata empedernido

Diário de Notícias ·

O meu pai, médico de Clínica Geral, e um homem muito inteligente e culto, adorava chamar-me depreciativamente o título desta crónica.

Fazia-o para criticar a minha obsessão pela cirurgia, que ele achava exagerada e me afastava de uma culturalização necessária.

Foi a primeira pessoa a citar-me William Osler, um médico canadiano considerado o pai da medicina moderna, nascido no século XIX, que dizia, e cito, “um médico que só sabe de medicina, nem de medicina sabe”.

“Tens de ler mais, ir ao cinema e ao teatro, visitar museus, ouvir concertos, saber o que se passa no mundo, só assim podes ser um médico humano e competente.” Poderá ter tido alguma razão, sobretudo em relação à leitura – só lia praticamente literatura médica.

Só muito mais tarde, já tendo atingido o topo da carreira hospitalar, lhe pude responder com uma citação do mesmo autor, que ele tanto admirava, que dizia, e cito de cor novamente: “ Espanta que a medicina praticada possa ser exercida com tão pouco conhecimento da literatura médica, mas já não espanta que ela possa ser de tão má qualidade.” O exercício da actividade médica exige uma formação contínua, uma actualização quase diária.

É difícil mantermo-nos a par de todos os avanços e progressos.

No tempo do meu pai, que quando se formou ainda não havia antibióticos e a literatura médica era escassa e apenas acessível em papel, era relativamente fácil estar a par dos grandes avanços da medicina e, ao mesmo tempo, acompanhar aspectos culturais envolventes.

Quer a sua geração, quer gerações anteriores, deram à luz médicos cultos, que associaram as suas qualidades clínicas a escritos memoráveis, como Egas Moniz, Abel Salazar, Júlio Dinis, Fialho de Almeida, Jaime Cortesão, Bernardo Santareno e muitos, muitos outros.

Já na minha geração, nas últimas décadas do século XX, houve também médicos grandes escritores como António Lobo Antunes ou Miguel Torga, mas não foram grandes médicos, dedicaram-se quase exclusivamente à Literatura.

Grandes médicos e excelentes escritores da minha geração recordo apenas João Lobo Antunes e Daniel Sampaio.

Ao João cheguei a dizer-lhe pessoalmente que não percebia como tinha tempo de escrever excelentes livros e continuar a ser um fantástico neurocirurgião.

O Daniel é um caso à parte, só escreveu dezenas de livros apaixonantes porque foi, e é, um enorme e competente psiquiatra.

Qual foi a minha vantagem de não ter tido tempo de ler o que deveria ter lido em devido tempo? Conto-vos uma história verídica.

Já perto da reforma, e com mais tempo disponível e direito a férias mais prolongadas, ao chegar ao toldo pedi a amigos em toldos vizinhos, que me aconselhassem um romance para ler nesse verão.

Ler a notícia completa no Diário de Notícias ›

Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

Mais de Diário de Notícias

Ver tudo ›

Mais em Últimas

Ver tudo ›