Quem foi o bruto que mandou carregar no Porto?
Em 2020 o chef Ljubomir Stanisic e outros empresários da restauração acamparam durante dias junto à Assembleia da República, numa greve de fome contra as restrições da pandemia.
Em 2023 professores e funcionários escolares passaram várias noites em tendas diante do Parlamento.
Nesse mesmo ano a Fenprof manteve um acampamento de três noites junto ao Ministério da Educação.
Em Braga ativistas pelo direito à habitação também montaram, por duas vezes, algumas tendas diante do Banco de Portugal.
Em Coimbra, em 2024, estudantes solidários com a Palestina estiveram acampados durante cerca de um mês junto à Faculdade de Letras.
Não se conhecem cargas policiais para acabar com nenhum desses protestos.
A conclusão é simples: em Portugal, montar tendas para reclamar direitos não tem sido tratado como uma emergência de segurança pública, como um ato de agressão ou como um atentado.
Tem sido entendido como um ato de protesto legítimo.
Para o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, não: montar tendas é coisa que obriga a polícia a correr as pessoas à pancada.
Os vídeos gravados por telemóveis na Praça D.
João I não mostram a centena de manifestantes que ali estava, às 3h00 da manhã, a provocar ou a agredir a PSP.
De repente, vê-se a polícia avançar, decidida, de bastões em riste, sobre o grupo à sua frente.
Segundo os organizadores, a carga deixou 37 feridos, dois deles graves.
Que ilegalidade estaria aquela gente a cometer que pudesse justificar semelhante resposta? Montar tendas sem licença constitui uma contraordenação punível com coima de 150 a 200 euros.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.