Cook despede-se da liderança da Apple e Ternus assume leme com desafio da IA
John Ternus vai assumir, em 01 de setembro, o império financeiro consolidado por Tim Cook na Apple, onde terá de lidar com o impacto das políticas tarifárias dos EUA e de acelerar o desempenho na corrida da inteligência artificial (IA).
Tim Cook, o líder que assumiu o comando da Apple após a morte do fundador, Steve Jobs, prepara-se para deixar o cargo de presidente executivo (CEO), depois de transformar a empresa numa gigante de 4 biliões de dólares (3,4 biliões de euros).
Após quase 15 anos à frente da companhia, Cook, de 65 anos, passará a ser presidente do Conselho de Administração e cederá o comando a John Ternus, atual vice-presidente sénior de Engenharia de Hardware.
Apple pagou à Irlanda 40% dos seus impostos mundiais A escolha de um líder da área de hardware indica que a Apple acredita que o futuro da IA passará por dispositivos integrados, como óculos inteligentes ou AirPods com câmaras, e não apenas pela nuvem.
A Apple ficou para trás em relação a gigantes como o Google, que já integrou IA nos seus dispositivos, ou empresas emergentes como OpenAI e Anthropic, que se tornaram líderes do setor.
Apesar de ter apresentado o “Apple Intelligence”, alguns recursos, como a aguardada atualização da assistente Siri, sofreram sucessivos atrasos, o que evidencia a dificuldade da empresa em atingir os padrões atuais do mercado.
Além disso, a política comercial determinada pelo Presidente dos EUA, Donald Trump, será outro desafio para o sucessor de Cook.
Apple em negociações com publishers para reforçar Siri AI A Apple é capaz de gerar milhões graças ao facto de Cook ter construído uma cadeia de fornecimento vasta, eficiente e económica centrada na China, mas este modelo hoje é vulnerável devido à deterioração das relações entre Washington e Pequim.
Ternus herda o desafio complexo de diversificar essa rede devido às políticas tarifárias impulsionadas pela administração de Donald Trump para incentivar a produção nos Estados Unidos.
Após o início da pandemia de covid-19, a Apple apostou na Índia como alternativa para reduzir a sua dependência da China, mas essa transição enfrentou obstáculos diplomáticos após a reeleição de Trump em 2024.
A nova administração está focada em gerar mais investimentos e empregos no país e recorreu à ameaça de tarifas mais altas para pressionar as empresas a transferir parte de suas cadeias de suprimentos para os Estados Unidos.
A Apple prometeu investir dezenas de milhares de milhões de dólares no país em chips fabricados nos EUA para iPhones, além de adicionar uma linha de montagem do Mac Mini no Texas.
No entanto, a maior parte de sua cadeia de fornecimento permanece na Ásia.
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