Passos Coelho deu à costa. E talvez venha aí um 'tsunami' político
Com a entrevista que deu a Maria João Avilez, Pedro Passos Coelho colocou-se, definitivamente, na linha de partida para a liderança do PSD e para uma candidatura a primeiro-ministro.
Falta o tiro de partida para a corrida que terá de ser dado pelo PSD num qualquer congresso extraordinário.
Passos Coelho foi claro na sua entrevista.
Não há qualquer sombra no projecto que apresentou ao país.
Goste-se ou não desse projecto, ficou expresso que o antigo primeiro-ministro quer federar a direita, quer uma coligação da Aliança Democrática com o Chega e a Iniciativa Liberal.
É um projecto que Montenegro não quis abraçar quando se apresentou a eleições.
Como os caros leitores estarão lembrados, Luís Montenegro baseou a candidatura no célebre “não é não” que, em princípio, lhe terá conferido uma vitória curta nas eleições legislativas.
E isto é uma contradição para Passos Coelho, que vem agora exigir a Montenegro que deixe de governar num permanente saltitar entre PS e Chega e assuma uma aliança com as forças à sua direita? Não, não é! Porque na cabeça de Passos Coelho esteve sempre a ideia de que, mesmo com risco de perder as eleições, Luís Montenegro deveria ter pensado no país e assumido um projecto maioritário que desse condições para efectivar mudanças em Portugal.
Para Passos Coelho o importante é o país e não uma estratégia destinada a obter uma vitória eleitoral.
“Que se lixem as eleições”, lembram-se? Este incremento do protagonismo de Passos Coelho vai ser uma dor de cabeça para Montenegro.
O PSD corre o risco de entrar num processo de convulsão interna.
Pode acontecer um tsunami ...
Isto porque esta e as futuras intervenções de Passos Coelho vão pôr mais a nu todas as fragilidades do Governo.
O clímax desse momento será a apresentação do estudo que está a ser preparado por Passos Coelho e Sérgio Sousa Pinto a pedido da Associação Comercial do Porto.
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