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'Chegagate': assalto ou farsa?

Diário de Notícias ·

A 17 de junho de 1972 cinco pessoas invadiram a sede do partido Democrata, no Edifício Watergate, em Washington, com o objetivo de instalar escutas telefónicas e roubar documentos.

Assim começou um dos maiores escândalos da política norte-americana, que terminou com um processo de impeachment e ulterior renúncia de Richard Nixon à Presidência dos Estados Unidos, uma vez que se provou que tinha conhecimento das operações ilegais contra a oposição democrata.

Gerald Ford, que lhe sucedeu, amnistiou todas essas infrações.

A 29 de julho de 2026, o partido Chega denunciou um assalto ao seu gabinete na Assembleia da República, tendo André Ventura afirmado expressamente que tinham sido roubados da sala vários documentos relacionados com o primeiro-ministro e com o ministro da Administração Interna.

Apesar de ter recusado divulgar quais os documentos em causa, dada a natureza “sensível” dos mesmos, André Ventura disse que os recebeu de “pessoas que trabalham na Polícia Judiciária”, que os considera “graves” e importantes para a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a Luís Neves.

Mas Ventura não esclareceu por que não tinha tornado públicos esses alegados documentos que estavam na sua posse… Um assalto a um gabinete de uma força política dentro das instalações do Parlamento seria sempre um acontecimento seriíssimo, que exigiria uma imediata reação da parte das forças de segurança e dos serviços da Assembleia da República.

Mas um assalto para, como foi anunciado pelo líder do Chega, roubar documentos importantes sobre um ex-diretor Nacional da Polícia Judiciária e atual membro do Governo, que seriam, supostamente, importantes para uma CPI, é alarmante, inédito e profundamente perturbador.

A mera alegação seria, só por si, suficiente para mobilizar todos os meios necessários para que, com grande celeridade, se esclarecesse o sucedido.

A dúvida sobre um acontecimento desta natureza é arrasadora para o Estado de Direito democrático.

O Ministério Público abriu um inquérito e a Polícia Judiciária já recolheu indícios no gabinete, e irá ouvir os envolvidos.

Naturalmente que a ausência de mais informações sobre estas diligências não surpreende porque há um sigilo a manter.

O que surpreende, isso sim, é o silêncio no espaço público em torno deste assunto.

Nem André Ventura, sempre tão vocal, nem outros deputados do partido Chega têm falado sobre o caso.

A comunicação social não tem feito perguntas, pelo menos publicamente, e mesmo os outros partidos políticos não têm colocado a questão na agenda com a acutilância que a mesma merecia.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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