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Guerra e inflação passam fatura: Estado prevê pagar mais 776 milhões em juros da dívida em 2027

ECO ·
Guerra e inflação passam fatura: Estado prevê pagar mais 776 milhões em juros da dívida em 2027

O Ministério das Finanças está a prever um novo agravamento dos encargos com os juros da dívida pública no próximo ano.

A fatura com o serviço da dívida das administrações públicas deverá aumentar em cerca de 776 milhões de euros em relação a este ano , e isto num quadro de crescente pressão nos mercados obrigacionistas em todo o mundo por causa dos receios com a inflação causada pela guerra no Irão.

A estimativa consta do Quadro de Políticas Invariantes para 2027 , um documento em que as Finanças revelam o que acontece ao saldo orçamental, tanto do lado da receita como da despesa, sem novas medidas, a que o ECO teve acesso.

Tensão nos mercados de dívida deixa Orçamento sob pressão Ler Mais Depois de anos a fio em que o baixo custo de financiamento nos mercados permitiu a Portugal poupar nos juros da dívida, desde 2023 que esta tendência se inverteu por conta do aperto financeiro do banco central para controlar a escalada da inflação que se seguiu à invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022.

Em 2025, a fatura com os juros ascendeu a seis mil milhões de euros.

Valor que deverá agravar-se para 6,3 mil milhões este ano , pelo menos esta era a estimativa inscrita no Plano Orçamental-Estrutural Nacional de Médio Prazo, que o ministério liderado por Joaquim Miranda Sarmento apresentou em abril – já com o conflito no Médio Oriente em curso.

Isto significa que o Estado deverá ter de suportar mais de sete mil milhões de euros só em juros no próximo ano .

Para Miranda Sarmento, serão menos 776 milhões de euros que terá a menos para compor o Orçamento do Estado para 2027.

O ministro terá de apresentar a proposta orçamental dentro de mês e meio, no que marcará o início das negociações no Parlamento que deverão durar até ao documento final ser aprovado, algures no final de novembro.

O aumento dos encargos com os juros da dívida das administrações públicas é das rubricas que mais vão pesar no aumento da despesa que o Executivo já está a antecipar para o OE2027.

Equivale praticamente ao aumento de despesa que o Governo espera ter com a atualização regular das pensões no próximo ano, na ordem dos 824 milhões de euros.

Por aqui se percebe a importância que os governos têm atribuído à necessidade de ter contas públicas equilibradas e de reduzir a dívida pública.

Em junho, a dívida pública atingiu os 93% do Produto Interno Bruto (PIB) , agravando-se em relação ao final do ano passado, razão pela qual o primeiro-ministro veio a público para reafirmar o objetivo de redução para 87,5% do PIB no final deste ano .

“Não nos assustemos.

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