Cabo Verde perde sementeiras por falta de chuva e admite apoiar famílias
"N este momento estamos a distribuir sementes para se fazer uma nova sementeira, porque sabemos que, tradicionalmente, as pessoas começam a trabalhar no ano agrícola mais cedo. Normalmente começa a partir de junho e várias [sementeiras] já foram perdidas", afirmou a ministra da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Eveline Ramos.
A ministra falava na abertura de um encontro técnico sobre o Plano Nacional de Investimento Agrícola, destinado a avaliar o trabalho desenvolvido na última década e a debater o futuro do setor até 2035.
Eveline Ramos disse que equipas do Governo estão no terreno a avaliar a situação agrícola e que os resultados serão posteriormente comunicados.
"Estamos à espera de chuva. Temos esperança que as coisas mudem", afirmou, admitindo que, se necessário, será acionado um programa de mitigação dos efeitos das alterações climáticas, com apoio à alimentação dos animais e às famílias rurais vulneráveis.
A ministra apontou ainda a falta de mão de obra, associada à saída de jovens do país, como outro desafio para a agricultura, que poderá contribuir para a redução da área cultivada.
"Esse é um problema que temos de reconhecer, não é só na agricultura, mas em todos os setores. Esta situação de falta de mão de obra é um problema estrutural do país, neste momento, com a saída dos jovens", afirmou.
Eveline Ramos acrescentou que o Governo conta com a população que permanece no país, mas reconheceu que a saída de jovens "terá implicações na área cultivada e haverá, com certeza, uma diminuição".
Em Cabo Verde, a chuva concentra-se entre agosto e novembro, deixando longos períodos de seca no resto do ano.
Em julho, o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) previu para 2026 um início tardio da época das chuvas e precipitação entre deficitária e normal, além da possibilidade de períodos secos durante a estação.
O instituto alertou ainda que temperaturas acima da média poderiam aumentar o défice hídrico, sobretudo nas zonas agrícolas mais vulneráveis.
Em Santiago Norte, agricultores tinham alertado, em junho, para a incerteza quanto ao comportamento das chuvas e para o risco de perdas quando as sementes são lançadas após as primeiras precipitações e deixa de chover nos dias seguintes.
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