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Aumentar pena não resolve violência contra mulheres, diz advogada

UOL Notícias ·
Aumentar pena não resolve violência contra mulheres, diz advogada

Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Aumentar penas e apostar só no encarceramento não resolve a violência contra as mulheres, avaliou a advogada Thais Cremasco, especialista em violência de gênero, no UOL News - 2ª edição , do Canal UOL.

O tema entrou no debate após o caso de um homem que confessou ter estrangulado e matado as duas filhas, de 3 e 5 anos , e que estava em liberdade condicional no litoral de São Paulo. No programa, a discussão também abordou a nova tipificação de vicaricídio, quando o agressor atinge pessoas próximas à mulher para causar sofrimento.

Eu tenho bastante convicção em defender a ideia de que o aumento de pena, puro e simplesmente, e encarceramento de pessoas não resolvem um problema cultural e sociológico que é a violência contra as mulheres.

Eu insisto porque acho muito emblemático vivermos numa sociedade onde a gente precisa de uma lei para dizer para os homens: 'não matem os seus filhos para destruir a vida de suas esposas'.

O motivo dele não é diferente do recorde de violência contra as mulheres, que é ciúmes. O homem entende que pode destruir a vida, o corpo ou o entorno daquela mulher, porque simplesmente ele perdeu o controle sobre o corpo dela. Thais Cremasco, advogada

Cremasco disse que o vicaricídio se encaixa como "violência de vingança" e funciona como um ataque ao entorno da mulher para provocar dor. Para ela, a sucessão de leis reflete a necessidade de "avisar" o que não pode ser feito em um cenário que se repete.

A advogada também relacionou a baixa procura por polícia e Justiça ao medo de deslegitimação e ao ciclo de ameaças. Ela citou que parte das vítimas não denuncia e, quando denuncia, ainda enfrenta questionamentos sobre "o momento certo".

Por que muitas mulheres ainda não procuram a polícia e a Justiça? Porque elas sabem que serão deslegitimadas, desrespeitadas, muitas vezes ridicularizadas. Thais Cremasco, advogada

Ao comentar o que chama de "mudança estrutural", Cremasco afirmou que o foco deveria ser criar condições para que as mulheres reconheçam sinais de violência, denunciem mais cedo e consigam se libertar do agressor, em vez de apostar apenas em punição mais dura.

Eu acredito que não passa por essa questão simples do aumento de pena, mas sim uma mudança estrutural para que as mulheres reconheçam, denunciem e se libertem da violência nos primeiros sinais. Thais Cremasco, advogada

O UOL News vai ao ar de segunda a sexta-feira em duas edições: às 10h, com apresentação de Fabíola Cidral, e às 16h, com Diego Sarza. Aos sábados, o programa é exibido às 11h e 16h, e aos domingos, às 16h.

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