Mercadante quer BNDES a 2% do PIB, pede ‘pacto’ entre empresários e afirma: ‘É fácil resolver o Brasil’
O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES ) , Aloizio Mercadante , defendeu que o banco alcance uma dimensão equivalente a 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos anos, atuando em parceria com o mercado privado.
Durante o painel “Investimento e Crescimento: Papel do Financiamento Público e Privado”, do Macro Day , evento realizado pelo BTG Pactual , Mercadante descartou, porém, um retorno ao tamanho registrado no passado, quando o BNDES chegou a representar entre 4% e 5% do PIB.
“Não precisamos voltar ao tamanho que o banco já teve. Acho que 2% do PIB é um tamanho adequado, mas também não pode ser menor do que isso”, afirmou.
O presidente argumentou que a instituição deve complementar o setor privado e assumir riscos em áreas nas quais o financiamento de longo prazo é mais difícil, como inovação, transição energética e reconstrução após desastres climáticos.
Mercadante resumiu seu otimismo com uma frase: “É fácil resolver o Brasil. É só abaixar os juros”.
Apesar do tom otimista, Mercadante afirmou que o país ainda precisa solucionar um obstáculo estrutural: a taxa de juros.
“A prioridade nacional tem que ser baixar os juros de forma sustentável e duradoura. É isso que falta para o Brasil. E acho que o mercado pode ajudar muito a dialogar com o Legislativo e o Judiciário e cobrar isso de governadores e prefeitos. Precisamos de um entendimento em torno dessa prioridade”, declarou.
Ele lembrou que o Plano Real controlou a hiperinflação e que, posteriormente, o Brasil reduziu sua vulnerabilidade externa, acumulou reservas internacionais e ampliou o superávit comercial.
“Vamos fazer US$ 290 bilhões de saldo comercial e fechar o ano com algo em torno de US$ 330 bilhões. Voltamos a acumular reservas, o que é fundamental. A inflação aleija, mas a crise cambial mata. Resolvemos a hiperinflação e o câmbio; agora faltam os juros”, disse, citando uma frase do economista Mario Henrique Simonsen.
“Antes, a inflação comia a renda. Hoje, são os juros que estão comendo a renda das famílias e das empresas”, acrescentou.
O dirigente alertou que o custo elevado do crédito contribuiu para o aumento das recuperações judiciais e extrajudiciais. Ele mencionou a Braskem e Raízen como exemplo de empresas para a qual o BNDES procura, de forma reservada, construir soluções.
“O sistema bancário é extremamente sólido, mas, se os juros permanecerem nesse patamar, isso também vai chegar ao balanço dos bancos. E não há por que isso acontecer. Temos um sistema extremamente sólido”, afirmou.
Mercadante afirmou que o BNDES alcançou R$ 366 bilhões em indução ao crédito em 2025, volume equivalente a cerca de R$ 1 bilhão por dia. Nos primeiros seis meses de 2026, foram R$ 198 bilhões.
“Em 2025, nós chegamos a R$ 366 bilhões de indução ao crédito. É R$ 1 bilhão por dia”, disse.
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