Atafona: como o avanço do mar apagou ruas, casas e parte da história de um distrito do Norte Fluminense
A primeira coisa que desaparece é a paisagem conhecida.
Depois, vêm as casas, as ruas, os quintais e as referências que durante décadas ajudaram a organizar a vida de quem vive ali.
Em Atafona, distrito de São João da Barra, no Norte Fluminense, a história da erosão costeira pode ser contada pelo que já não está mais onde deveria.
Há cerca de seis décadas, o Oceano Atlântico avança sobre uma faixa de terra localizada na foz do Rio Paraíba do Sul e vem redesenhando o território.
Ao longo desse período, mais de 500 construções desapareceram.
Quarteirões inteiros foram apagados e antigos endereços passaram a existir apenas nas lembranças dos moradores e em fotografias de família.
No passado, Atafona era um balneário marcado pelo movimento dos veranistas, especialmente das famílias de Campos dos Goytacazes, que construíam ali suas casas de praia.
A vida do distrito estava ligada ao encontro entre o rio e o mar.
Mas a dinâmica desse mesmo território se transformou.
O que antes era ocupado por casas e árvores passou, em vários pontos, a dar lugar a uma sucessão de ruínas: paredes sem telhado, lajes quebradas, fundações expostas e vergalhões cravados na areia.
É uma paisagem que parece estar sempre inacabada.
O mar destrói uma construção, a areia se desloca, o que restou fica exposto e, pouco depois, também pode desaparecer.
Em Atafona, nem mesmo as ruínas permanecem intactas por muito tempo.
A transformação, porém, não aconteceu de uma vez.
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