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Política

Violência contra indígenas avança em 2025 em meio à demora nas demarcações

Brasil de Fato ·
Violência contra indígenas avança em 2025 em meio à demora nas demarcações

A violência contra os povos indígenas se agravou no Brasil em 2025, em meio à demora na demarcação de terras, à permanência de invasores em territórios e à insuficiência de políticas públicas . É o que aponta o relatório “Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil – Dados de 2025”, divulgado pelo Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

Segundo o levantamento, os três grandes eixos analisados pela entidade — violência contra a pessoa, contra o patrimônio e por omissão do poder público — registraram crescimento ao longo do ano. O cenário inclui aumento de assassinatos, suicídios, mortalidade de crianças indígenas e conflitos relacionados à disputa por terras.

O número de indígenas assassinados chegou a 258 em 2025, contra 211 no ano anterior. Roraima liderou o ranking, com 82 mortes, seguido por Amazonas, com 47, e Mato Grosso do Sul, com 37. O levantamento foi elaborado a partir de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), secretarias estaduais de saúde e Secretaria Especial de Atenção à Saúde Indígena (Sesai), obtidos também por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).

“Nós estamos a serviço dos povos indígenas, para que continuem povo, tenham o seu espaço, o seu território, possam cultivar a sua cultura, possam continuar com a sua língua, possam ser essa presença indígena na cultura brasileira”, avaliou Cardeal Leonardo Steiner, que é presidente do CIMI.

A violência não se restringiu aos assassinatos. O Cimi registrou 474 casos de violência contra a pessoa, incluindo ameaças de morte, tentativas de assassinato, lesões corporais, racismo e discriminação étnico-cultural e violência sexual. Um dos episódios destacados pelo relatório ocorreu na Ilha do Bananal, no Tocantins, onde um adolescente indígena teve a pele marcada com ferro utilizado para identificação de gado enquanto trabalhava para um pecuarista. Foi a segunda ocorrência semelhante registrada em menos de um ano.

Para o Cimi, a disputa territorial continua sendo um dos principais motores da violência. Em 2025, foram contabilizados 1.276 casos de violência contra o patrimônio indígena . Desses, 897 estavam relacionados à omissão ou morosidade na regularização das terras, 169 a conflitos por direitos territoriais e 210 a invasões, exploração ilegal de recursos naturais e outros danos.

O tamanho do passivo fundiário ajuda a dimensionar o problema. Das 1.443 terras e reivindicações territoriais indígenas existentes no país, 897 ainda aguardavam alguma medida administrativa para sua regularização. Em 582 casos, sequer havia sido tomada providência para iniciar o processo demarcatório.

Ao longo de 2025, 169 conflitos por direitos territoriais foram registrados em 23 estados, atingindo 143 Terras Indígenas (TIs). Segundo o relatório, dois terços dessas áreas tinham pendências na regularização ou não contavam sequer com providências do Estado para iniciar a demarcação.

“Apresentar o relatório sobre a violência contra os povos indígenas do Brasil significa trazer dados, números, e isso é muito importante. Isso escancara, de alguma forma nos traz a dura realidade que se impõe entre nós”, pontuou Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.brasildefato.com.br — o conteúdo pertence a Brasil de Fato.

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