‘Trem da Morte’: depois de anos paralisada, uma das rotas ferroviárias mais impressionantes da América do Sul volta a operar
Durante décadas, o trajeto ferroviário que atravessa a cidade boliviana de Puerto Quijarro, na fronteira com Corumbá (MS), rumo a Santa Cruz de la Sierra, um dos principais centros econômicos da Bolívia, ficou conhecido como “Trem da Morte”, apelido que invoca as histórias de descarrilamentos, vagões precários e o transporte de passageiros durante períodos de epidemias de doenças tropicais.
Depois de seis anos paralisado, o trem, cujo nome oficial é Expresso Oriental (operado pela Ferroviaria Oriental), voltou a circular em 2026.
A retomada de uma das rotas ferroviárias mais conhecidas entre viajantes brasileiros que atravessam a fronteira por Mato Grosso do Sul, por cerca de 618 quilômetros ao longo do leste boliviano, ocorre aos domingos, às 13h, quando parte de Puerto Quijarro, na fronteira com o Brasil.
No sentido contrário, o trem parte às sextas-feiras, também às 13h, de Santa Cruz de la Sierra.
Entre uma cidade e outra, a paisagem muda gradualmente.
A rota atravessa parte da Chiquitania, no departamento de Santa Cruz, região marcada por áreas de vegetação, pequenas comunidades, formações naturais e cidades históricas.
Em determinados trechos, a ferrovia acompanha uma paisagem aberta, enquanto em outros passa por áreas de vegetação mais densa.
Em Puerto Quijarro, a estação ferroviária tem uma estrutura simples.
O espaço de embarque lembra mais um terminal rodoviário de cidade pequena do que uma grande estação ferroviária, com poucos guichês, cadeiras para os passageiros e uma área de circulação modesta.
Expresso Oriental.
Créditos: Wikimedia commons As paradas e as condições da ferrovia fazem com que a viagem, que percorre mais de 600 quilômetros, possa durar até cerca de 20 horas.
O apelido “Trem da Morte” surgiu na Bolívia em razão de acidentes e descarrilamentos registrados ao longo da operação ferroviária.
A rota também esteve associada ao transporte de pessoas doentes, inclusive durante períodos em que enfermidades como a febre amarela representavam um problema sanitário na região.
A Ferroviaria Oriental, operadora do trem, administra aproximadamente 1.244 quilômetros de linhas na Bolívia.
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