Angra 3: governo prepara novo pacote milionário para salvar projeto da Eletronuclear
De acordo com informações publicadas pela Folha de S.Paulo, o governo federal prevê destinar um novo pacote de R$ 651,8 milhões para a manutenção de contratos do empreendimento Angra 3, da Eletronuclear, no âmbito do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027.
O recurso deverá ser utilizado para preservar contratos já existentes e manter as condições técnicas, jurídicas e institucionais do projeto enquanto o governo não toma uma decisão definitiva sobre a retomada ou o abandono da usina.
A obra da usina termonuclear, localizada em Angra dos Reis (RJ), teve sua construção iniciada na década de 1980, mas foi interrompida antes da conclusão.
O projeto original de Angra 3 remonta ao acordo nuclear firmado entre Brasil e Alemanha na década de 1970, e a construção da unidade começou em 1984, embora as obras tenham sido paralisadas e retomadas em diferentes momentos.
Atualmente, estima-se que a usina esteja até 66% concluída.
Ela seria a terceira das usinas a integrar a Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, complexo de geração de energia nuclear administrado pela Eletronuclear.
De acordo com a Eletronuclear, o investimento mínimo necessário para evitar a descontinuidade do empreendimento e preservar as condições técnicas e institucionais de Angra 3, chamado pela empresa de “patamar mínimo de sobrevivência”, seria de R$ 1,03 bilhão até 2027.
Somando-se ao investimento previsto pelo governo, o acionista minoritário da empresa deve cobrir a diferença de orçamento, de aproximadamente R$ 365 milhões, a fim de evitar a diluição de sua participação acionária e garantir os recursos considerados necessários para a manutenção do projeto.
A documentação encaminhada pelo Ministério de Minas e Energia registra que, até o momento, não havia indicação de tratativas concluídas com o acionista minoritário para a realização desse aporte.
As despesas incluem licenciamento, engenharia, manutenção de equipamentos e estruturas e compromissos relacionados ao fornecimento de equipamentos e serviços internacionais.
A usina paralisada continua sem produzir energia comercial e, desde setembro de 2024, estima-se que os compromissos relacionados ao empreendimento tenham consumido aproximadamente R$ 1,4 bilhão do caixa próprio da companhia, incluindo pagamentos a fornecedores e outras obrigações.
Entre os contratos considerados críticos está o mantido com a francesa Framatome, empresa que fornece tecnologia, equipamentos e serviços associados ao sistema nuclear de Angra 3.
O contrato com a companhia tem vencimento previsto para 1º de janeiro de 2027, mas o governo planeja viabilizar sua prorrogação, inicialmente apenas quanto ao prazo, enquanto busca regularizar os pagamentos, a depender da disponibilidade de recursos e da decisão sobre o futuro do empreendimento.
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