Do Nordeste ao Cerrado, tradições do teatro popular brasileiro se encontram em Brasília
Brasília se transforma em ponto de encontro de diferentes tradições do teatro popular brasileiro a partir deste sábado (15). Artistas, mestres e mestras de Pernambuco, Ceará, São Paulo e do Distrito Federal participam da 6ª edição do Festival Brasileiro de Teatro de Terreiro, que ocupa o Centro Tradicional de Invenção Cultural, na 813 Sul, até 23 de agosto.
Com entrada gratuita, o festival reúne apresentações, rodas de conversa e atividades que aproximam teatro, circo, mamulengo, palhaçaria, bois e ritmos tradicionais. A proposta é colocar em diálogo manifestações como Cavalo-Marinho, Mamulengo, Bumba-meu-boi e Maracatu com companhias e experiências contemporâneas das artes cênicas.
Realizado pelo Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro, o encontro reúne artistas de diferentes gerações e territórios e coloca o terreiro no centro da criação artística. Além de ser um cenário para as apresentações, ele aparece como espaço de memória, celebração, convivência e transmissão de saberes.
A proposta do festival é também voltar os olhos para produções que surgem fora dos espaços tradicionalmente associados ao teatro nacional, valorizando manifestações construídas no chão, nas ruas, nos quintais, nos roçados e nos territórios populares.
Entre os convidados nacionais estão Maciel Salú e Lucas dos Prazeres, Mestra Nice Teles e Mestre Manoelzinho Salustiano, de Pernambuco; Mundu Rodá e Cia. Terreiro Encantado, de São Paulo; e Trupe Motim, do Ceará.
Brasília também entra nesse encontro com produções próprias. Mamulengo Presepada, Cia. Udi Grudi, Orquestra Alada Trovão da Mata, Tamá Freire, Maria Villar e Seu Estrelo e o Fuá do Terreiro estão entre os representantes do Distrito Federal.
A abertura, neste sábado (15), às 20h, fica por conta dos pernambucanos Maciel Salú e Lucas dos Prazeres, com Abaeté: Uma Celebração Afro-Indígena Brasileira.
O espetáculo parte do encontro entre dois artistas negros de famílias quilombolas e leva ao teatro referências das heranças africanas e indígenas presentes em suas trajetórias. Cantos de Jurema e Candomblé, aboios e composições próprias compõem a montagem.
“Criamos o Abaeté com o intuito de trazer nossas músicas para o teatro. Lucas tem uma ligação muito forte com a cultura de matriz africana e indígena, assim como eu”, explica Maciel.
“Eu e Lucas somos dois artistas negros, de dois quilombos. Isso é muito forte dentro do Abaeté, c om cantos de Jurema, do Candomblé, aboios , além de composições nossas”, acrescenta.
Outra tradição que atravessa a programação é o Cavalo-Marinho. O grupo paulista Mundu Rodá realiza, na segunda-feira (17), uma aula-espetáculo e lança o livro O Cavalo-Marinho da Mata Norte de Pernambuco – Da boca da noite até quebrar a barra do dia .
A publicação é resultado de mais de duas décadas de pesquisa de campo junto a mestres e brincadores da Zona da Mata Norte de Pernambuco.
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