Amorim recebe opositores de Milei para normalizar relações entre Brasil e Argentina
Um grupo de nove parlamentares argentinos visitou o Itamaraty e o Palácio do Planalto nesta quarta-feira (02/09) com o objetivo de iniciar um diálogo para reverter a crise entre iniciada com uma série de declarações ofensivas feitas pelo presidente da Argentina, Javier Milei, contra seu homólogo do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva .
Formaram parte da comitiva argentina a senadora peronista María Florencia López, os deputados de esquerda Esteban Paulón (Partido Socialista), Germán Pedro Martínez (Partido Justicialista) e Victoria Tolosa Paz (Partido Justicialista) e os deputados de centro-direita Eduardo Falcone (Movimento de Integração e Desenvolvimento), Martín Lousteau (União Cívica Radical), Maximiliano Ferraro (Coalizão Cívica), Nicolás Massot (Peronismo Republicano) e Oscar Herrera Ahuad (Inovação Federal).
No Planalto, a missão argentina foi recebida pelo chefe da Assessoria Especial da Presidência da República, Celso Amorim, ex-chanceler e considerado figura de confiança do presidente Lula em temas internacionais.
A delegação argentina foi conformada por representantes de partidos de esquerda e de direita moderada. Os partidos A Liberdade Avança (extrema direita) e Proposta Republicana (direita tradicional, ligada ao ex-presidente Mauricio Macri, 2015-2019), foram convidados para incluir seus representantes, mas decidiram não fazê-lo.
Após o encontro, Amorim enfatizou que o interesse de Lula sobre a relação entre Brasil e Argentina é “que haja concordância, mas quando não houver, que haja respeito”.
A declaração faz alusão aos termos ofensivos usados por Milei, primeiro em um evento no Brasil, em julho, no qual entregou apoio à candidatura presidencial do extremista de direita Flávio Bolsonaro (PL) e aproveitou para chamar Lula de “presidiário” e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de “lixo calvo”.
Celso Amorim recebeu delegação argentina que tentou contornar crise entre Lula e Milei Fábio Rodrigues-Pozzebom / Agência Brasil
Dias depois, em uma entrevista dada no início de agosto, o mandatário argentino voltou a atacar o homólogo brasileiro , chamando-o de “ladrão” e “corrupto”.
Diante dessa situação, o Brasil decidiu, chamar a consultas o embaixador brasileiro em Buenos Aires. O diplomata não foi enviado de volta à capital argentina, indicando que Brasília rebaixou o nível das relações entre os países a encarregados de negócios.
Ainda nesta quarta-feira, está programada uma reunião entre o atual chanceler brasileiro, Mauro Vieira, e o chanceler argentino, Pablo Quirno, encontro que se realizará durante um evento do Mercosul em Montevidéu, capital do Uruguai.
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