‘Reino Unido deve encerrar todo comércio com Israel’, cobra ativista palestino
O Reino Unido deve interromper o comércio com Israel, incluindo as exportações de armas, e encerrar todas as relações que possam contribuir, direta ou indiretamente, para a ocupação dos territórios palestinos . É o que defende o palestino Omar Barghouti, cofundador do movimento Boicote, Desinvestimento e Sanções (BDS).
Ao britânico The Guardian , em entrevista publicada nesta quarta-feira (02/09), o ativista classificou as medidas do governo britânico como “totalmente performáticas”, destacando que elas não respondem às obrigações internacionais de Londres.
Nesta terça-feira (01/09), o secretário de Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, prometeu uma “reformulação abrangente” da política do Reino Unido em relação a Israel. Entre as medidas pode constar, a exemplo de outros países europeus, a suspensão do comércio com assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada .
O chanceler também mencionou que estuda formas de impedir empresas britânicas de “financiar, construir ou anunciar novos assentamentos”, após classificar como “inaceitável e destrutiva” a proposta de construção de cerca de 3.400 moradias na Cisjordânia ocupada.
Segundo Barghouti, as medidas atuais e previstas pelo governo britânico são insuficientes. Ele destacou o parecer consultivo da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que caracteriza toda a ocupação israelense de Gaza e da Cisjordânia, incluindo Jerusalém Oriental, como “ilegal” e “uma violação das proibições de segregação racial e apartheid previstas no direito internacional”.
Lembrou que dezenas de especialistas em direitos humanos da ONU defendem ações que obriguem os Estados a cumprirem suas obrigações internacionais. “Um conjunto de medidas mínimas é necessário: um embargo militar completo, abrangendo exportações, importações, transferências de produtos de uso dual e trânsito”, defendeu.
“É preciso encerrar todas as relações comerciais, diplomáticas, econômicas e acadêmicas que permitam a ocupação ilegal de Israel”, complementou.
Barghouti reiterou que “a CIJ decidiu que existe um risco plausível e suficiente de genocídio para acionar as responsabilidades de Estados terceiros”, salientando que “os advogados do governo britânico parecem ignorar essa parte da decisão e dizem que a Corte não se pronunciou sobre genocídio”.
“A Convenção sobre Genocídio é muito clara: quando existe um risco, a obrigação de prevenir é acionada. E como se previne um genocídio? Deixa-se de viabilizá-lo. Acabam-se todas as formas de cumplicidade”, reiterou.
Salientando que as sanções adotadas ou discutidas pelo governo britânico “não têm nenhum efeito concreto para responsabilizar Israel ou pressioná-lo a cumprir o direito internacional”, ele frisou que as futuras medidas do governo britânico precisam ter como alvo entidades ou indivíduos envolvidos em crimes.
Precisamos de responsabilização e não de “sanções que simplesmente dizem que colonos não poderão passar férias em Londres”, declarou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.