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A guerra contra o Irã fracassou em reordenar a Ásia Ocidental

Opera Mundi ·
A guerra contra o Irã fracassou em reordenar a Ásia Ocidental

Seis meses depois de Estados Unidos e Israel iniciarem sua guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro, é possível avaliar o conflito não apenas pelos danos provocados ou pelo número de mísseis disparados, mas pela constatação objetiva de que Washington e Tel Aviv não alcançaram seus objetivos estratégicos.

O projeto era muito mais ambicioso do que atingir instalações militares e nucleares iranianas. Pretendiam quebrar a capacidade de dissuasão da República Islâmica, provocar sua desestabilização interna, enfraquecer definitivamente o Eixo da Resistência e abrir caminho para uma nova arquitetura regional sob hegemonia israelense e proteção militar norte-americana.

O governo iraniano não caiu, o Estado não entrou em colapso e o Irã preservou capacidade suficiente para continuar impondo elevados custos militares, econômicos e estratégicos aos seus adversários.

A guerra que deveria demonstrar a supremacia dos Estados Unidos e Israel transformou-se numa prolongada guerra de desgaste.

E o mais importante nessa equação é que o próprio sistema regional que a guerra pretendia consolidar começou a mostrar suas fragilidades.

Durante décadas, as monarquias do Golfo organizaram parte importante de sua segurança em torno do guarda-chuva militar norte-americano. A guerra demonstrou os limites dessa garantia. Bases, instalações estratégicas, infraestrutura energética e rotas marítimas tornaram-se vulneráveis justamente quando os EUA mobilizaram enorme poder militar para a região.

O Estreito de Ormuz sintetiza essa inversão estratégica. A passagem por onde historicamente transita um quinto do petróleo mundial tornou-se um dos centros da confrontação. Se o objetivo era demonstrar a capacidade dos EUA de controlar militarmente as rotas energéticas da região, o resultado revelou que o Irã possui instrumentos para transformar sua geografia em poder estratégico.

As consequências já ultrapassaram o campo militar. Exportações de petróleo, derivados e gás natural liquefeito foram afetadas. Investimentos em rotas alternativas foram acelerados. O turismo, aviação e atividades industriais sofreram impactos.

Os governos do Golfo são obrigados a gastar bilhões para reduzir sua dependência de Ormuz justamente quando enfrentam maiores pressões sobre defesa, inflação e seus ambiciosos projetos de diversificação econômica.

Isso ajuda a compreender porquê a guerra contra o Irã não pode ser analisada apenas como um confronto bilateral. Ela colocou em questão o modelo de ordem regional construído pelos Estados Unidos durante décadas.

Como argumentei anteriormente ao definir este período como uma terceira fase da Revolução Islâmica, o Irã parece ter ultrapassado a lógica da chamada “paciência estratégica”.

Dissuasão já não significa simplesmente absorver ataques, evitar uma guerra maior e responder de maneira calculada. Significa também preservar a iniciativa e impor ao adversário custos suficientemente elevados para alterar seus cálculos.

Isso não significa que o Irã tenha abandonado a dimensão regional de sua estratégia.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em operamundi.uol.com.br — o conteúdo pertence a Opera Mundi.

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