As razões do calvário da Shein após IPO frustrante
Por anos, a Shein pareceu imune às regras tradicionais do varejo.
A empresa transformou algoritmos, redes sociais e uma cadeia de produção ultrarrápida em uma máquina de vender roupas a preços que pareciam impossíveis.
Nesta terça-feira, 1º, porém, o mercado deu um recado menos entusiasmado.
A gigante da ultra-fast-fashion estreou na Bolsa de Hong Kong com queda de até 10% nas primeiras horas de negociação.
Ao final do pregão, recuperou praticamente toda a perda e fechou a HK$ 48,50, praticamente no mesmo nível dos HK$ 48,56 do IPO.
Ainda assim, a estreia expôs as dúvidas que cercam seu futuro.
O principal número ajuda a dimensionar o tombo.
A companhia foi avaliada em cerca de US$ 26,3 bilhões na abertura de capital, muito distante dos quase US$ 100 bilhões alcançados em uma rodada privada em 2022.
Em quatro anos, portanto, a Shein perdeu cerca de três quartos de seu valor de mercado.
O IPO levantou US$ 1,7 bilhão, mas o desempenho das ações mostrou que o dinheiro novo não veio acompanhado da confiança que a empresa esperava.
A conta ficou mais cara Uma das maiores ameaças ao modelo da Shein está naquilo que durante anos foi uma de suas maiores vantagens: vender produtos muito baratos diretamente ao consumidor.
Mudanças nas regras de importação nos Estados Unidos e na Europa elevaram os custos de pequenas encomendas vindas da China, corroendo parte da vantagem competitiva construída pela empresa.
Analistas também apontam aumento dos custos e desaceleração do crescimento nos principais mercados ocidentais.
Continua após a publicidade Nos Estados Unidos, o fim de benefícios tributários para encomendas de baixo valor atingiu especialmente plataformas como Shein e Temu.
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