Cerca de 40 mil colunas de pedra parecem ter sido encaixadas à mão na costa da Irlanda do Norte, mas surgiram quando grandes massas de lava esfriaram, encolheram e racharam em formas regulares há cerca de 60 milhões de anos
O resfriamento de antigos derrames de basalto criou milhares de polígonos tão regulares que a paisagem inspirou lendas sobre gigantes
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Na costa do Condado de Antrim, milhares de pilares escuros formam uma espécie de pavimento que avança em direção ao Atlântico. A Giant’s Causeway reúne aproximadamente 40 mil colunas de basalto, muitas com seções poligonais surpreendentemente regulares. Apesar da aparência artificial, a estrutura nasceu de intensa atividade vulcânica e do resfriamento de grandes volumes de lava há quase 60 milhões de anos.
A região passou por intensa atividade vulcânica quando o Atlântico Norte estava começando a se abrir. Grandes quantidades de magma chegaram à superfície e produziram sucessivos derrames de lava basáltica. A UNESCO situa a formação dessas estruturas entre aproximadamente 50 e 60 milhões de anos atrás.
Quando uma grande massa de lava perde calor, ela se contrai. Essa redução de volume cria tensões internas e abre fraturas, que podem se organizar em redes poligonais. Conforme a frente de resfriamento avança para dentro da lava, essas rachaduras também avançam, dividindo a rocha em pilares aproximadamente paralelos. Esse fenômeno recebe o nome de disjunção colunar.
O formato hexagonal é comum porque redes de fraturas que se distribuem de maneira relativamente uniforme tendem a produzir junções próximas de 120 graus. Porém, as colunas não são todas hexágonos perfeitos. A Giant’s Causeway também possui pilares com números diferentes de lados, resultado das irregularidades naturais durante o resfriamento.
A aparência extremamente organizada surge porque milhares dessas fraturas se desenvolveram lado a lado numa grande massa de basalto. O processo pode ser comparado, em princípio, às rachaduras poligonais que aparecem na lama durante a secagem, embora na lava sejam a perda de calor e a contração térmica que controlam a formação dos pilares.
Este vídeo de geologia explica a formação das colunas e apresenta pesquisas mais recentes sobre o ambiente em que a lava se acumulou.
A história não terminou quando o basalto solidificou. Durante milhões de anos, erosão, geleiras e ação do mar removeram partes das rochas que recobriam ou cercavam as colunas. Isso expôs gradualmente as seções hoje visíveis ao longo da costa e das falésias.
Algumas interpretações sobre o ambiente exato onde determinados derrames se acumularam continuam sendo refinadas pela geologia moderna. O ponto fundamental, porém, permanece sólido: as colunas são basaltos vulcânicos cuja geometria resulta do resfriamento e da contração da rocha, e não blocos individuais encaixados artificialmente.
Muito antes da explicação geológica moderna, a regularidade das pedras inspirou histórias tradicionais. Uma das mais famosas envolve o gigante irlandês Fionn mac Cumhaill, também conhecido como Finn McCool, e apresenta as pedras como restos de uma passagem construída sobre o mar em direção à Escócia.
A lenda e a ciência hoje convivem como partes diferentes da identidade do local.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.