Na contramão dos Treasuries, juros futuros perdem força com eleições e PIB
A curva de juros futuros recuou em todos os vencimentos nesta terça-feira (1º), destoando do movimento observado nos títulos do Tesouro norte-americano, os Treasuries , com as eleições de outubro e a atividade mais fraca no radar dos investidores.
A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 , de curtíssimo prazo, encerrou a 13,585% , baixa de 3 pontos-base , ante 13,615 % do fechamento anterior.
Já a taxa de DI para janeiro de 2029 , de médio prazo, encerrou as negociações em 14,110%, ante 14,175% do fechamento anterior, recuo de 6,5 pontos-base .
A DI para janeiro de 2036 , de longo prazo, cedeu 7 pontos-base e terminou o dia a 14,480%, ante 14,550% do fechamento da última quinta-feira (20) .
Nos EUA, o yield do Treasury de dois anos – mais sensível à política monetária – operava a 4,400%, ante 4,350% do ajuste anterior, por volta de 18h05 (horário de Brasília).
Já o retorno do título de 10 anos — referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito — subia para 4,796%, de 4,758% da última quinta-feira, no mesmo horário.
O que mexeu com os DIs hoje? Os investidores seguiram de olho no cenário eleitoral à Presidência acirrado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) , com as últimas pesquisas apontando uma redução na diferença entre os candidatos.
Além disso, os desdobramentos do envolvimento do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, contribuíram para a leitura de que a oposição pode melhorar nas próximas pesquisas eleitorais.
O mercado ainda acompanhou a desaceleração do Produto Interno Bruto ( PIB ) do segundo trimestre de 2026, que cresceu 0,5%, com os setores mais cíclicos perdendo força, enquanto o agro e a indústria extrativa seguiram com desempenho positivo.
Para o economista-chefe do Banco BV, Roberto Padovani , a alta do PIB veio ligeiramente acima do esperado, mas puxado por segmentos que não são afetados pelos ciclo econômico, como agro e indústria extrativa.
“A indústria de transformação sentiu o peso da taxa de juros, e essa combinação de estímulos do governo com desemprego mais baixo ainda favorece a área de serviços.
Portanto, é uma economia que ainda segue por conta de renda, agropecuária e indústria extrativa”, diz.
A expectativa do BV é de que esses efeitos da agropecuária diminuam no terceiro trimestre, e o impacto do aperto monetário continue se espalhando pela economia.
O banco projeta expansão de 0,2% para o PIB do terceiro trimestre na margem.
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