Tarcísio demite Delegado da Cunha da Polícia Civil de São Paulo
O governador Tarcísio de Freitas demitiu hoje o deputado federal Carlos Alberto da Cunha (União Brasil) da função de delegado da Polícia Civil.
Demissão foi publicada no Diário Oficial de São Paulo desta quinta-feira (3). Governo considerou procedentes as acusações feitas contra o parlamentar em processo administrativo.
O despacho não descreve quais foram as condutas concretas que constituíram as infrações. O UOL tenta contato com o deputado. O espaço segue aberto para manifestação.
Da Cunha está atualmente licenciado do cargo, pois foi eleito deputado federal em 2022. Ele recebeu 181,5 mil votos. Em participação no podcast Flow, Da Cunha explicou que caso não seja reeleito, poderia voltar ao cargo de delegado.
Ele já foi acusado de ter encenado e gravado a prisão de um refém e de um sequestrador. Para gravar operações, ele contratou até um cineasta.
Corregedoria o indiciou por suspeita de peculato, quando um servidor usa bens públicos ou cargo para obter algo de valor. No caso do Da Cunha, ele estava usando a estrutura da polícia para postar em seu canal no YouTube, que é monetizado. Posteriormente, a Justiça de São Paulo arquivou o caso.
Delegado chegou a ser afastado pela Polícia Civil e teve sua arma retida temporariamente . Ele chegou a admitir que "cometeu" erros, mas não deu detalhes de quais
Betina Grusiéck, que era namorada de Da Cunha, registrou um boletim de ocorrência contra ele, dizendo que tinha sido agredida . O caso foi registrado no dia 14 de outubro de 2023. O programa Fantástico, da TV Globo, chegou a exibir um vídeo em que é possível ouvir o delegado ofendendo a companheira . "Pode parar, senão vou te matar aqui. Desmaia aí", teria dito Da Cunha, segundo a gravação.
Betina relata que perdeu a consciência após levar diversos golpes do seu ex-companheiro. Ela conta que ele bateu a cabeça dela na parede e a enforcou. No boletim de ocorrência, é dito que Da Cunha tinha consumido bebida alcoólica, "promoveu uma discussão e atacou a honra [de sua companheira]".
O casal teve união estável por três anos. Na época, Da Cunha negou a agressão e mencionou que sua ex-companheira lutava muay thay e ele, na verdade, é quem estava machucado.
O advogado Eugênio Malavasi disse que Da Cunha "não nega agressões verbais", mas afirma que o cliente não teria agredido fisicamente a ex-mulher. A defesa sustenta que exames não constataram lesões. "A acusação de agressão física não se sustenta, corroborado, inclusive, pelos exames do Instituto Médico Legal que não constataram lesões ou marcas em áreas sensíveis do corpo como rosto e pescoço", afirmou o defensor por meio de nota.
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