À Justiça, Vasco prevê quase R$ 90 mi para reforços apesar de 'colapso'
Em recuperação judicial, o Vasco tenta liberar na Justiça a aprovação de um novo empréstimo - de R$ 150 milhões - alegando necessidade urgente para cumprir pagamentos e não entrar em colapso financeiro. Documentos do processo mostram que o clube prevê desembolsos de quase R$ 90 milhões em contratações.
O pedido do Vasco foi negado novamente pela juíza Simone Chevrand nesta sexta-feira. A magistrada apontou o contraste entre um clube em situação financeira e investimentos altos e os empréstimos seguidos para um mesmo grupo empresarial.
O valor seria cedido pela empresa Almirante, de Marcos Lamacchia, que tem um pré-acordo para comprar o clube. Considerando a Crefisa, já seriam R$ 270 milhões emprestados pelo grupo empresarial ao Vasco.
Em entrevista ao "Globo Esporte", o CEO do Vasco, Fred Luz afirmou que vai enfrenta "uma situação extremamente delicada de caixa" no dia 20 caso o dinheiro não seja liberado. E alega que compromissos correntes, como pagar funcionários, seriam afetados.
O Vasco prevê um déficit de R$ 300 milhões em 2026 por conta de gastos superiores a receitas.
Um documento na ação, no entanto, mostra que em agosto e setembro a prioridade dos gastos do Vasco tem sido contratações de reforços.
O próprio clube anexou uma projeção de fluxo de caixa para o mês de agosto. Caixa, no caso, significa o que será desembolsado naquele mês.
Pelo documento, o Vasco prevê um gasto um total de R$ 67,6 milhões em itens relacionados a contratações. Outros R$ 18,8 seriam desembolsados em setembro. Ou seja, a soma é de R$ 86,4 milhões.
"Por isso se indaga quanto a necessidade imediata de investimento adicional, entre agosto e setembro, de quase R$ 90 milhões", diz a juíza em sua decisão desta sexta-feira.
Em agosto, seriam R$ 55,8 milhões em "transfer fee", direitos federativos Outros R$ 5,6 milhões seriam destinados à intermediação. E, além disso, mais R$ 6,2 milhões ficam para luvas
Na mesma planilha, a previsão é de R$ 13 milhões para quitação de dívidas. São R$ 7 milhões para parcelamento tributários, e outros R$ 5,2 milhões para pagamento de credores da Recuperação Judicial e da CNRD (tribunal da CBF). Um outro item é reestruturação financeira: R$ 600 mil.
Assim, o Vasco prevê no mês atual gastar o quíntuplo em contratações em relação a pagamento de suas dívidas.
Tanto Fred Luz quanto o presidente do Vasco, Pedrinho, dizem que uma parte do dinheiro dos empréstimos é para contratações. Mas não detalham a fatia. Em relação aos empréstimo, representaria pelo menos 60% do total para reforços.
A juíza Simone Chevrand também mostrou preocupação com uma espécie de venda antecipada para o grupo de Lamacchia. Isso porque já teria uma dívida de R$ 270 milhões do clube com esse grupo. A questão é que, na Recuperação do Vasco, foi aprovada uma venda por concorrência.
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