No coração da Antártida Oriental existe uma enorme cadeia de montanhas completamente enterrada sob quilômetros de gelo, com picos e vales comparáveis aos grandes sistemas montanhosos visíveis da superfície
Radares revelaram uma antiga paisagem alpina preservada sob a espessa camada de gelo da Antártida Oriental
Whastapp Facebook Linkedin Twitter COMPARTILHAR Sob a extensa camada de gelo da Antártida Oriental existe um relevo que ninguém consegue observar diretamente da superfície. As Montanhas Gamburtsev formam uma paisagem alpina completa, com picos elevados, cristas e vales profundos preservados sob o gelo , oferecendo aos geólogos pistas raras sobre a evolução do continente e sobre o nascimento da própria camada de gelo antártica.
A existência da cadeia começou a ser reconhecida durante uma expedição soviética realizada no Ano Geofísico Internacional de 1957–1958. Instrumentos geofísicos revelaram grandes irregularidades no terreno enterrado, indicando que sob a superfície aparentemente uniforme havia uma cadeia montanhosa de dimensões continentais.
Décadas depois, levantamentos muito mais detalhados mostraram sua verdadeira complexidade. O projeto internacional AGAP realizou extensos voos sobre a região utilizando radar de penetração no gelo, além de medições de gravidade, magnetismo e estudos sísmicos. Os dados revelaram montanhas com aparência alpina escondidas sob uma camada que, em determinados setores pesquisados, alcança vários quilômetros de espessura.
O radar aerotransportado envia ondas de rádio em direção à superfície. Parte do sinal atravessa o gelo, alcança a interface entre a camada congelada e a rocha e retorna aos sensores do avião. Medindo o tempo dessa viagem e analisando o sinal refletido, pesquisadores conseguem estimar a espessura do gelo e reconstruir a altitude do terreno enterrado.
Milhares de medições realizadas ao longo de linhas de voo permitem criar modelos tridimensionais do relevo. Foi assim que apareceram estruturas semelhantes às encontradas em grandes cadeias montanhosas expostas, incluindo cristas pronunciadas, cabeceiras de vales e depressões escavadas pela antiga ação de rios e geleiras.
Este vídeo apresenta a cadeia escondida e explica como diferentes evidências científicas ajudam a reconstruir sua história.
O enigma está principalmente na localização. Grandes cadeias jovens costumam estar associadas a limites tectônicos ativos, enquanto os Gamburtsev ficam no interior antigo e relativamente estável da Antártida Oriental. Pesquisas anteriores identificaram sob a região uma crosta excepcionalmente espessa e um enorme sistema de riftes, levando à hipótese de que uma antiga raiz montanhosa tenha sido rejuvenescida por episódios tectônicos posteriores.
Estudos recentes acrescentaram novas peças. Análises de minerais transportados de antigas regiões interiores sustentam a possibilidade de que grandes eventos de colisão continental tenham começado a formar esse sistema há mais de 500 milhões de anos. Entretanto, detalhes sobre sua evolução, composição e sucessivos episódios de soerguimento continuam sendo investigados porque praticamente não existem afloramentos acessíveis para amostragem direta.
A glaciação continental ampla da Antártida começou aproximadamente 34 milhões de anos atrás.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em oantagonista.com.br — o conteúdo pertence a O Antagonista.