Lendário Trem da Morte volta a operar na Bolívia
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O icônico Trem da Morte , que liga a boliviana Puerto Quijarro , na fronteira com o Brasil, a Santa Cruz de la Sierra, voltou a operar após um hiato de seis anos, provocado pela pandemia de Covid-19.
Operado pela Ferroviaria Oriental, o trem recebeu este nome no passado devido ao número de acidentes, como descarrilamentos, e também por ter sido rota para o transporte de pacientes com doenças como febre amarela.
A partir de Puerto Quijarro, o trem inicia as viagens aos domingos às 13h, e tem paradas em El Carmen, Roboré e San José, antes de chegar a Santa Cruz, maior cidade boliviana, com 1,6 milhão de habitantes, segundo o INE (Instituto Nacional de Estadística), o equivalente no país ao IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No sentido oposto, as viagens ocorrem às sextas-feiras, às 13h.
A estação ferroviária no município fronteiriço tem um saguão que se assemelha aos de rodoviárias no interior do Brasil, com poucos guichês para a venda de passagens e cadeiras espalhadas pelo espaço para que os passageiros aguardem o horário de saída do trem.
No total, 618 quilômetros separam Puerto Quijarro de Santa Cruz de la Sierra, mas a viagem chega a demorar até 20 horas, dependendo das condições encontradas. As passagens custam em média o equivalente a R$ 160 e podem ser compradas na estação de Puerto Quijarro ou pela internet.
Um trem brasileiro, que ligava Bauru , no interior paulista, a Corumbá (MS) , também ganhou a alcunha de Trem da Morte, especialmente a partir dos anos 60, quando houve a desaceleração gradual de investimentos nas estradas de ferro, resultando em aumento no total de acidentes.
Puerto Quijarro é um pequeno município de 17.974 habitantes, que faz fronteira terrestre com Corumbá, o que significa que bastava o passageiro desembarcar na cidade sul-matogrossense, passar pela fronteira e embarcar em "outro" Trem da Morte.
A rota, frequente para mochileiros brasileiros, passa pela Chiquitania, região boliviana com belas paisagens naturais e não tem mais os riscos do passado –poltronas com boa inclinação, TV e ar condicionado fazem parte do trem. As composições simples e inseguras deram lugar a locomotivas e vagões mais modernos, assim como os trilhos. Eles, porém, ainda chacolham bastante, relataram passageiros.
A Ferroviaria Oriental administra 1.244 quilômetros de trilhos na Bolívia, que se conectam com os sistemas ferroviários de Argentina e Brasil.
A extensão é semelhante aos 1.272 quilômetros operados pela Estrada de Ferro Noroeste do Brasil entre Bauru e Corumbá.
A Noroeste do Brasil, que começou a ser construída em 1905, passou a fazer parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) em 1957, onde ficou até a concessão à Novoeste em 1996. Foi a morte dos trens de passageiros, já que o contrato com o governo federal não estabelecia a obrigatoriedade de manter esse tipo de transporte
Da empresa, em parceria com a Ferroban e a Ferronorte surgiu a Brasil Ferrovias, que depois passou a ser Nova Novoeste, até ser incorporada à ALL (América Latina Logística).
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