Cade rejeita recurso da Keeta contra 99; pede mais investigação sobre mercado de delivery por aplicativo
O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica ( Cade ) decidiu, nesta quarta-feira (2), rejeitar recurso da empresa de delivey Keeta contra cláusulas de exclusividade com restaurantes acertadas pela rival 99 , mas determinou necessidade de mais investigação da autoridade concorrencial sobre o setor.
“O cenário exige tanto da SG (Superintendência-Geral do Cade) e do Tribunal uma decisão que considere todas essas frentes abertas”, disse o relator do caso, o presidente-interino do Cade, Diogo Thomson de Andrade em seu voto, em que negou provimento a recurso da Keeta e foi acompanhado por unanimidade pelos demais conselheiros.
O relator também citou necessidade de inclusão no processo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) como terceira interessada e recomentou a aceitação pela SG de outras partes que vierem a fazer pedidos semelhantes.
Na avaliação de Andrade é necessário levantar qual a situação dos restaurantes afetados pelas cláusulas de exclusividade parcial da 99 e as contrapartidas oferecidas, bem como análise de “mais denúncias envolvendo outros agentes”.
A Keeta, controlada pela gigante chinesa Meituan, entrou no mercado brasileiro no ano passado e a 99, da também chinesa DiDi Global, retomou sua operação no setor de delivery em 2025.
Desde então as empresas têm expandido velozmente suas operações no país, embora a líder do setor siga sendo a iFood, controlada pela europeia Prosus.
Na semana passada, o iFood apresentou uma representação no Cade denunciando prática de preços predatórios pela Keeta.
A 99 afirmou em comunicado que recebeu “com tranquilidade a decisão de continuidade da investigação e seguimos confiantes na legitimidade das nossas práticas”.
Para a empresa, é positivo o Cade considerar que outras plataformas do setor integrem a análise da autarquia sobre o mercado de delivery.
A Keeta não respondeu de imediato a um pedido de comentário.
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