Churrasco para Brizola e bolsa na Rússia fizeram “agitadores” alvos de militares
Um médico que recebia cartas da Rússia.
Um engenheiro que ofereceu churrasco a Leonel Brizola.
Um advogado apontado como procurador de João Goulart.
Os três eram irmãos e ocupavam lugar de destaque na lista de pessoas que os órgãos de repressão pretendiam prender em Campo Grande, na porção sul do Estado de Mato Grosso do Sul, durante a Ditadura Militar.
Alberto, René e Humberto Neder formavam uma espécie de núcleo familiar prioritário do Plano Tarrafa, operação secreta que reuniu informações sobre figuras consideradas comunistas, simpatizantes ou contrárias ao regime instalado em 1964.
As fichas, datilografadas pelas mãos de militares, trazem endereços, profissões, parentescos, opiniões, amizades e atividades políticas dos alvos.
Ao lado dos nomes, o plano indicava a prioridade da prisão e até o quartel para onde cada pessoa deveria ser levada.
Entre os motivos registrados estão escrever para jornais, participar de passeatas, criticar autoridades universitárias, demonstrar simpatia pelo então presidente deposto João Goulart, o Jango, ou manter contato com países socialistas.
Em algumas das descrições, absolvições e falta de provas aparecem no mesmo documento que mantinha o investigado na mira para uma nova prisão.
O material integra o arquivo do SNI (Serviço Nacional de Informações) e reúne relações elaboradas pela 9ª Região Militar, pela DOPS (Delegacia de Ordem Política e Social) e pela Polícia Federal à época.
A família Neder – O médico Alberto Neder recebeu a classificação “Prioridade 01” para ser preso pela Ditadura Militar.
Conforme a ficha, ele havia sido secretário político do comitê estadual do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e era proprietário do jornal O Democrata.
Os militares descreveram que Alberto realizava reuniões clandestinas em casa, recebia cartas e notícias da Rússia e seguia a “orientação de Moscou”.
Também registraram ligações dele com João Goulart, Leonel Brizola e o ex-ministro Wilson Fadul.
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