Discord levou até 17 dias para remover servidores com estupros virtuais e abusos
Relatórios obtidos com exclusividade pela GloboNews apontam que o Discord levou, em alguns casos, quase 17 dias para remover servidores e transmissões ao vivo associados a conteúdos envolvendo automutilação e suicídio, estupros virtuais, maus-tratos a animais, abuso sexual infantil, ataques contra pessoas em situação de rua e ameaças a escolas.
Os documentos reúnem ao menos 63 comunicações emergenciais feitas pelo Noad (Núcleo de Observação e Análise Digital), da Polícia Civil de São Paulo, entre maio de 2025 e janeiro de 2026.
Segundo os relatórios, o tempo médio de resposta da plataforma foi de 17 horas.
O material foi compartilhado nos últimos meses com o MPSP (Ministério Público de São Paulo) e com a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), além de ter envio previsto à AGU (Advocacia-Geral da União).
Nos documentos, os investigadores sustentam que o Discord não possui mecanismos considerados adequados e suficientes para impedir o acesso de menores de idade a conteúdos impróprios ou ilegais, principalmente em servidores voltados à prática de crimes.
A Polícia Civil também aponta falhas no processo de criação de contas.
Segundo os investigadores, é possível ingressar na plataforma sem um cadastro completo que inclua e-mail, telefone ou outro dado capaz de permitir uma identificação confiável do usuário.
Em documento encaminhado à ANPD em 21 de agosto, o Noad afirmou que a exigência apenas de um nome de exibição e de uma data de nascimento permite a utilização de informações falsas sem um mecanismo efetivo de verificação.
A situação, conforme o relatório, permaneceu mesmo após a suspensão das transmissões ao vivo.
Em relatório de 26 de junho, o núcleo afirmou que o Discord vinha apresentando demora reiterada no atendimento de pedidos de remoção relacionados a servidores onde eram identificadas práticas criminosas graves.
Entre os conteúdos mencionados pela Polícia Civil estão incentivo à automutilação, estupros virtuais, uso de imagens de vítimas para chantagem e armazenamento de materiais ilegais, incluindo conteúdo de abuso sexual infantil, zoofilia e necrofilia.
As transmissões ao vivo do Discord estão suspensas no Brasil desde 12 de agosto.
A medida foi adotada após a ANPD identificar o uso recorrente do recurso em episódios de violência, assédio e indução à automutilação e ao suicídio envolvendo crianças e adolescentes.
Segundo a agência, as providências adotadas pela plataforma até então não eram suficientes para prevenir ou reduzir os riscos.
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