Manipulação política via algoritmos
Não é novidade que os algoritmos podem ser usados como poderosas armas de propaganda e manipulação política [1] .
Tampouco é novidade que um dos maiores desafios que as democracias contemporâneas enfrentam é como lidar com a desinformação [2] .
O que continua surpreendendo, entretanto, é a dimensão da opacidade sobre o funcionamento das plataformas digitais e as dificuldades para que suas atividades respeitem regras eleitorais e os pressupostos fundamentais da democracia.
Com efeito, o eleitor não tem como fazer uma deliberação racional se não tem acesso aos fatos com base nos quais poderá orientar sua escolha.
Logo, se um ambiente informacional saudável é pressuposto do bom funcionamento das democracias, são sempre preocupantes os receios e as evidências de tentativas de manipulação de eleitores, como já tive oportunidade de analisar em textos anteriores, ao abordar, dentre outros, o problema dos conteúdos sintéticos [3] , da utilização do lado bajulador da inteligência artificial generativa para fins políticos [4] e dos influencers políticos criados por inteligência artificial [5] .
Conheça o JOTA PRO Poder, plataforma de monitoramento que oferece transparência e previsibilidade para empresas Embora a manipulação política por algoritmos não seja um problema novo, a cada eleição reforça-se a impressão de que o problema, longe de ser solucionado, se agrava.
Nas atuais eleições brasileiras, as preocupações se avolumam com inúmeras suspeitas de interferências indevidas, seja por parte de big techs , seja por parte de governos.
Como meros exemplos, dentre muitos, foram amplamente divulgadas pela imprensa, a partir de reportagem do jornal britânico The Guardian, acusações de que a administração Trump estaria interferindo nas eleições brasileiras [6] , inclusive por meio da destinação de US$ 1 milhão a projeto que contesta a atuação do STF, sob o pretexto de combater a censura [7] .
Paralelamente, há diversas acusações contra a Meta, sob o argumento de que estaria privilegiando o engajamento do candidato Flávio Bolsonaro em detrimento de Lula [8] .
O cenário pode ser mais bem delineado a partir de três relatórios recentes do NetLab, vinculado à UFRJ, que tiveram por objeto a atuação das plataformas TikTok, Kwai e Meta.
No relatório “TikTok recomenda conteúdos de candidatos e contraria normas eleitorais” [9] , os pesquisadores identificaram que a plataforma recomendou vídeos de perfis oficiais de candidaturas, descumprindo a norma eleitoral e o seu próprio plano de conformidade.
E, o que é mais grave, “a falta de transparência do TikTok não permite estimar o número total de contas e candidaturas afetadas pelo sistema de recomendação nas eleições”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.jota.info — o conteúdo pertence a JOTA.