Frente Parlamentar quer resolver impasse no Tapajós em 2027
O senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) disse ao Poder360 nesta 4ª feira (2.set.2026) que congressistas tentarão resolver o impasse da dragagem no Rio Tapajós em 2027 por meio da Frenlogi (Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura).
O procedimento, considerado necessário para a manutenção das condições de navegação na região, foi vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mesmo depois de forte pressão dos setores de transportes, logística e do agronegócio.
Zequinha Marinho diz não ver espaço para que a discussão seja retomada ainda em 2026.
“Ano que vem, com o novo governo, vai rediscutir tudo isso.
A gente vai entrar através da Frenlogi e vai puxar o debate.
Para ver se o governo pauta para que a gente possa avançar.
Não podemos ficar nessa situação” , afirmou o senador candidato à reeleição pelo Pará, após café da manhã da Frente com representantes do setor de logística.
A dragagem do Tapajós está no centro de um impasse entre Planalto, setor produtivo e populações indígenas que vivem na região.
O processo consiste na retirada de sedimentos, como areia e outros materiais acumulados no leito do rio, para preservar as condições de navegação.
Em julho, o governo decidiu realizar o procedimento, mas a medida encontrou forte resistência de representantes das comunidades locais, que cobram licenciamento ambiental e consulta prévia e alertam para riscos de contaminação das águas.
Depois de pressão de líderes indígenas e movimentos sociais do Baixo Tapajós, o presidente vetou unilateralmente a realização do processo, contrariando a posição dos ministérios envolvidos, do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), do Ibama e da AGU.
Desde então, o tema ficou paralisado dentro do governo e ainda não há previsão de a discussão ser retomada.
A avaliação de empresas que atuam no local é de que, sem a dragagem, a navegabilidade ficará cada vez mais prejudicada , sobretudo a partir deste mês, quando deve se intensificar a seca causada pelo El Niño, que reduzirá o nível das águas.
A projeção é que as atividades no rio podem ser interrompidas por até 4 meses, colocando em risco o transporte de milhões de toneladas de grãos.
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