Credor de R$ 31,5 milhões da Fictor, Augusto Cury investiu por meio de contratos anulados pela Justiça
Augusto Cury (Avante) transformou o empreendedorismo em uma das vitrines de sua candidatura à Presidência.
Dono do maior patrimônio entre os presidenciáveis e defensor da criação de clubes e escolas de empreendedorismo pelo país, o escritor também costuma apresentar a própria trajetória empresarial como credencial para o cargo.
Em entrevista recente à Folha, ao criticar o que chama de cultura do rentismo no Brasil, Cury afirmou que “todo grande empresário deveria investir em bolsa de valores, novas empresas, em tecnologia” .
E acrescentou: “é o que eu sempre fiz”.
Uma dessas apostas, no entanto, terminou dentro de uma recuperação judicial bilionária.
Cury declarou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) uma participação de R$ 31,5 milhões na Fictor Invest .
O valor aparece entre os maiores itens dos R$ 242,28 milhões em bens informados pelo candidato e corresponde a cerca de 13% de todo o seu patrimônio.
O investimento foi feito por meio de uma Sociedade em Conta de Participação (SCP) , modelo utilizado pela Fictor para captar recursos de investidores.
Em 20 de agosto, a 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo anulou contratos desse tipo utilizados pelo grupo e determinou que fossem tratados como empréstimos.
Cury não é acusado de qualquer irregularidade na decisão.
Pelo contrário, desde que a crise da Fictor veio à tona, ele afirma que foi uma das vítimas da empresa.
De investidor a credor da Fictor A dimensão do negócio apareceu em fevereiro, quando a Fictor pediu recuperação judicial com cerca de R$ 4,2 bilhões em dívidas .
Na lista apresentada à Justiça, Augusto Cury surgiu como o quarto maior credor pessoa física do grupo, com R$ 31,5 milhões a receber.
O presidenciável explicou posteriormente como entrou no negócio.
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